Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
1 ago 2008
Sempre que sentia ou ouvia a expressão vergonha alheia, era remetido à situação em que uma garota com quem passara um tempo explicava porque havia sido tão abrupta com uma outra com quem, em certa ocasião, ele conversava.
A outra havia perguntado se ele não ia embora porque, afinal, a chuva não passava.
A garota com quem ficara passava perto e ouviu aquilo: “Não. Ele não vai embora porque está me esperando”.
Em casa, ela disse:
- Estava mijando em volta de meu macho.
Naquela boca, a expressão toda parecia a peça quadrada encaixada no buraco redondo no teste de psicotécnico.
Ainda que subitamente presenteado com urina, a vergonha alheia não veio naquela hora. Veio depois, quando ele descobriu que ela não teria bexiga o suficiente para mijar na volta toda dele. Ela tinha uma bexiguinha assim ó. Murcha, flácida e de baixa capacidade.
A vergonha alheia é saber os talentos fisiológicos dos outros enquanto eles, ainda que por uma ocasião, não sabem, esqueceram ou se iludem a seu respeito.
Um comentário para "Vergonha alheia"
horrivel
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