Aos 17 anos eu me sentia com 17 anos.

Aos 18, uma coisa engraçada aconteceu.

Pois eu continuava a me sentir como se tivesse 17 anos.

E aos 19. Aos 20. Aos 30. E, agora, prestes a completar 37.

Durante muito tempo imaginei que fosse a permanência da adolescência em mim.

Hoje, rolando na cama, esbarrei com um pensamento.

Na verdade, é que desde aquela época sou velho. Velho, não idoso.

Então, desde o tempo em que algo em mim envelheceu, como envelhecem as pedras, que ainda assim rolam nos rios, sinto-me com a mesma idade.

Sempre terei uma aparência e um comportamento mais jovial do que os anos que realmente, deste os 17, tenho.

Sei que vivemos uma época (desde os gregos? desde antes?) em que a juventude é cultivada. Por isso, do alto dos meus sei lá quantos anos, do alto da sabedoria adquirida dos milênios vendo as montanhas crescerem e as estrelas morrerem, se você tem algum problema com o fato de eu ser velho (mesmo aos 37), com uma voz repleta de paciência e bondade eu lhe digo:

- Foda-se.

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