Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
19 jul 2010
Sou seu raptor.
Sou aquele que você esperou.
Que então eu surgisse no meio da noite.
Que eu então viesse, violentamente, e arrebatasse seu corpo sonolento para o escuro da madrugada.
E levasse você a outro mundo cheio de portas, todas abertas.
Sei que às vezes você quer fugir.
Desenha paisagens onde morar.
Cria um rosto que chama de amigo.
Sou esse rosto.
Sou o bandido que salta do papel para a vida.
E antes que possa reagir, seus pés já correm, guiados pelos meus, sua mão vem veloz, puxada pela minha.
Pois sou seu raptor, o forasteiro na rua principal.
E você não me opõe resistência.
Como a ave que caça, de longe vi você, fechei forte as minhas garras e nunca mais se ouviu falar de nós nessa cidadezinha de merda.

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