Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
1 dez 2008
Sou seu raptor.
Sou aquele que você esperou. Que então eu surgisse no meio da noite. Que eu então viesse, violentamente, e arrebatasse seu corpo sonolento para o escuro da madrugada. E levasse você a outro mundo cheio de portas, todas abertas.
Sei que às vezes você quer fugir. Desenha paisagens onde morar. Cria um rosto que chama de amigo. Sou esse rosto. Sou o bandido que salta do papel para a vida.
E antes que possa reagir, seus pés já correm, guiados pelos meus, sua mão vem veloz, puxada pela minha.
Pois sou seu raptor, o forasteiro na rua principal.
E você não me opõe resistência. Como a ave que caça, de longe vi você, fechei forte as minhas garras e nunca mais se ouviu falar de nós nessa cidadezinha de merda.

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