Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
1 set 2010
Dar e receber perdão são gestos são tão difíceis de serem compreendidos porque, quando somos capazes de vivê-los, então já não resta nada a perdoar.
Por um lado, poucos se percebem capazes deles. Embora todos sejam.
Por outro, se não há mais o que perdoar, o perdão e o ser perdoado tornam-se atos sem chão, sem motivo. Talvez o perdão seja, portanto, essa percepção de que não existe nada que justifique e respalde ressentimentos por 10 anos, 10 dias ou 10 minutos.
Leve a sério as palavras “não foi nada”, muito usadas para os pequenos deslizes do dia a dia. Porque de fato não foi nada. Assim, use-as também para os grandes deslizes o mais rápido possível, tão logo nossas fraquezas humanas permitam.
Se você é capaz de dizer com orgulho – ou mesmo com lamento (um orgulho disfarçado) – de que não é capaz de perdoar certas coisas ou de pedir perdão por outras, peço que se esforce um pouco mais. Ou relaxe um pouco para, quem sabe, conseguir ser menos cabeça-dura.
Ou vai passar a vida, como um tolo, sem sentir uma das coisas mais poderosas, gratificantes e intensas que um ser humano pode sentir em relação a outro. Sempre dizem que se dá asas para aqueles que não sabem voar. Não permita que isso seja verdade.
Ontem eu descobri isso.
2 comentários para "Sobre perdão e ser perdoado"
Pois eu ainda acho mais difícil o auto perdão. O orgulho diminui a disposição em aceitar o próprio erro, em nos enxergar não como os seres perfeitos e iluminados que pensamos ser, mas como pessoas passíveis de falhas.
Perdoar, ao próximo ou a si mesmo, é difícil. Mas muito gratificante.
Eu descobri faz algum tempo. Mas gratificante, como sempre, é ler nas suas palavras tudo que gostaria de escrever mas não tenho esse talento todo. =)
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