Dar e receber perdão são gestos são tão difíceis de serem compreendidos porque, quando somos capazes de vivê-los, então já não resta nada a perdoar.

Por um lado, poucos se percebem capazes deles. Embora todos sejam.

Por outro, se não há mais o que perdoar, o perdão e o ser perdoado tornam-se atos sem chão, sem motivo. Talvez o perdão seja, portanto, essa percepção de que não existe nada que justifique e respalde ressentimentos por 10 anos, 10 dias ou 10 minutos.

Leve a sério as palavras “não foi nada”, muito usadas para os pequenos deslizes do dia a dia. Porque de fato não foi nada. Assim, use-as também para os grandes deslizes o mais rápido possível, tão logo nossas fraquezas humanas permitam.

Se você é capaz de dizer com orgulho – ou mesmo com lamento (um orgulho disfarçado) – de que não é capaz de perdoar certas coisas ou de pedir perdão por outras, peço que se esforce um pouco mais. Ou relaxe um pouco para, quem sabe, conseguir ser menos cabeça-dura.

Ou vai passar a vida, como um tolo, sem sentir uma das coisas mais poderosas, gratificantes e intensas que um ser humano pode sentir em relação a outro. Sempre dizem que se dá asas para aqueles que não sabem voar. Não permita que isso seja verdade.

Ontem eu descobri isso.

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