A professora de catequese era daquelas loirinhas miúdas com duas trancinhas. Uma de cada lado da cabeça. Não lembro. Devia ter uns quinze ou dezesseis anos. Contra nossos sete ou oito de idade, era velha.

Primeiro ano, todas as crianças aprendendo a rezar. Pai-Nosso, fácil. Ave-Maria, fácil. Santo-Anjo, fácil.

Mas era dia de Salve-Rainha.

Eu sentava do lado da parede. Quando repentinamente vi-me em um bloqueio de memória. A tarefa era decorar aquelas palavras todas que não faziam o menor sentido. Afinal, o que eram os degredados filhos de Eva?

E as trancinhas ali sem olhar para o meu desespero. Daqueles em que o cu aperta sozinho. Para mim, aquela criança que tinha acabado de aprender a ler, não conseguir aprender aquele texto até o fim da aula poderia trazer castigos misteriosos que eu nem imaginava.

Ela lia a Bíblia compenetrada. Os outros alunos murmuravam a oração. Eu não consegui sair da primeira frase.

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida e doçura esperança nossa salve!

Com exclamação e tudo.

Comecei a chorar baixinho. Tinha esperança de que olhasse pra mim.

Sem resultado, comecei a bater a cabeça na parede de lado, enquanto tentava manter os olhos no texto. Como a parede era de alvenaria, não fazia muito barulho. Por isso, demorou para ela perceber meu estado lamentável e mandar-me pra casa.

Deve ter ficado assustada, pois nunca tocou nesse assunto nas aulas seguintes. Nem uma vez pediu para que eu rezasse o Salve-Rainha. Ela, na verdade, era tão doce quanto sugeriam as tranças.

A oração, de fato, nunca aprendi. Muito embora eu fosse uma criança carola, de ir todo domingo na igreja, participar do coral e fazer as leituras da liturgia. Cheguei a ser crismado e a ser catequista.

Com 24 anos de idade, 7 anos não chegam a ser diferença. Encontrei-a – ela, a catequista – em um bar da cidade. Nem eu era mais uma criança carola nem ela era mais uma professora de catequese. Ela não me reconheceu. Afinal as crianças mudam.

Mas ela – tirando as trancinhas, que não estavam ali – era praticamente a mesma, com a mesma cara de loirinha do elenco da Noviça Rebelde.

Estava meio bêbada. Conversamos um pouco e fomos para o meu carro. Um passeio sem compromisso. Ia deixá-la em casa pois seus amigos, enquanto estávamos naquele papo-furado de bar, foram embora. Parei na frente do portão e começamos a nos beijar.

Mal terminado o primeiro beijo, apelei para o romantismo.

- Quero chupar sua bucetinha.

Ela puxou-me para dentro de casa. Lá, foi minha vez de, pelos cabelos, puxá-la. Sentei-me no sofá e deitei-a de bruços atravessada sobre minhas coxas. Ainda segurando-a por onde deveriam estar as trancinhas, comecei a acariciar suas costas, indo da nuca até a bunda, como se faz a um gato.

Ela pareceu gostar. Fiz ela chupar o meu dedo e, sem abaixar a calcinha, sem largar seus cabelos um só instante, enfiei. Brinquei um pouco daquele jeito, enquanto me divertia vendo seu delírio. Falei em seu ouvido para ela dizer que era uma putinha. Ela disse.

Levantei a saia para ver melhor aquela bunda. Dei o primeiro tapa. Fraco. Para ver a reação. Ela gostou. Estava na cara que tinha formação católica.

Dei outro mais forte. Estralou. Ela gemeu mas não reclamou.

- Não gema. Eu quero que reze.

Ela começou.

- Salve Rainha…

Uma frase por tapa.

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