Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
28 jan 2009
Durante o Campus Party, Ana Lúcia Fernandes sofreu abusos por parte de um homem genérico
Um homem – imagine um homem genérico – não costuma nem mesmo supor o que é, para uma mulher, andar por dez quarteirões, sozinha e a pé.
Um homem – o tal homem genérico – não costuma saber que tipo de coisas uma mulher ouve nesse trajeto. Simplesmente não passa por sua cabeça. Muito embora ele mesmo, genericamente, as diga inúmeras vezes.
Coisas que essa mulher ouve, a irmã dessa mulher ouve, a mãe dessa mulher ouviu e a avó, um dia, também. E a irmã, a mãe e a avó desse homem da mesma forma ouviram, mas dita por outros homens genéricos. Mas dá na mesma: é como se ele mesmo dissesse, pois, ao repeti-las, ele concorda que os seus colegas as digam e as tenham dito para a sua irmã, sua mãe, sua avó.
E ela ouve. Simplesmente por fazer um passeio ou ir ao supermercado ou ao trabalho, um trecho que percorre diariamente, um trecho pelo qual qualquer homem genérico anda impunemente, de camisa aberta.
E as coisas que ela ouve de homens genéricos se repetem com a mesma religiosidade das calçadas e portões. As nuvens e os carros mudam, mas o homem genérico continua sempre o mesmo.
E ela ouve. E, depois de tantas vezes manifestando indignação, fechando a cara ou apertando o passo, um dia ela finge que não ouve mais. Muitas, de tanto ouvir, tristemente passam a acreditar. Outras ficam surdas para sempre e nada mais as toca, nem carinho. O coração endurece como o chão que ela pisa no trajeto.
Os indianos, digo, os indianos da antiguidade, de milênios atrás, conheciam uma coisa chamada dárshana. Um dos significados dessa palavra: quando a mulher concede ao homem a sua imagem. A visão de uma parte de seu corpo ou do corpo todo, como uma manifestação divina. A visão de si mesma como um presente.
E dizem que o homem genérico, cinco mil anos depois, é evoluído: não se faz merecedor do que vê e recebe e, mesmo assim, quer ser ouvido. E tocar.
Um homem genérico não perde uma oportunidade de confundir desejo – que a mulher pode e deve provocar – com permissão, com permissividade. Confundir essas coisas é estar a um passo do roubo. A um passo de roubar coisas que sequer se entende, que não se pode guardar e que só tem verdadeiro valor para a vítima. A um milímetro de correr em um terreno que se deveria palmilhar. Não se pode levar a água na concha formada pela mão bruta. Ela sequer chega aos lábios.
Um homem genérico, enfim, não perde uma oportunidade de mostrar que não é digno sequer de um dia ter colocado a boca no peito de sua mãe.
Isto aqui era para ser um pedido de desculpas, mas acho que não há como se desculpar de coisas que continuarão a acontecer com todas as mulheres, pelo visto, durante muito tempo ainda.
Nelson Rodrigues disse que, até os 35 anos, um homem não sabe dizer nem bom dia a uma mulher.
Suponho, ele era um otimista.
61 comentários para "Pedido de desculpas à coelhinha ou Tentando explicar o inexplicável"
Lindo…o texto, o seu modo de ver as coisas, é lindo.
Agradeço a “tentativa”.
Bjos
Perfeito!
Felizmente você já ultrapassou o aprendizado do “bom dia”. Pena que é uma raridade dentre tantos homens genéricos.
Beijos estratégicos…
“Outras ficam surdas para sempre e nada mais as toca, nem carinho.”
Perfeito o texto.
Aliás, essa atitude de ficar surda é o pior erro da mulher. Não podemos achar que isso é uma atitude normal do sexo masculino. “Os homens são assim mesmo, passam a mão, falam umas besteiras”.
Mulheres caladas vão continuar com a mão na bunda.
Realmente espero que a coelhinha não deixe isso quieto.
Adorei! Me limito muitas vezes devido a essa tendência masculina…baixo a cabeça ao passar por um grupo de homens e não saio de saia (saio de saia é ótima haha) sem ser acompanhada. Também tenho uma estranha aversão a andar na frente das pessoas que me acompanham, por medo de acharem que estou sozinha. Se estou com meu namorado, baixo a cabeça mais ainda quando vejo um outro homem, por não querer que me ache ‘puta’ por estar olhando para outro com o namorado junto. Credo. Obrigada por me fazer perceber isso!
E os indianos da antiguidade são merecedores de admiração por todos os seus conceitos a respeito do amor e das mulheres, vide o Kama Sutra, que hoje se limitou a um manual com fotos de ocidentais em posições diferentes, mas que foi uma bíblia do amor e do sexo com corpo e alma.
Admiração para ti também, que nem indiano nem da antiguidade é!
Excelente texto.
Nossa, obrigada pelo texto. Que bom ler um texto assim escrito por um homem!
[...] Enfim, aproveito para fazer o que o molestador, até o momento, não teve a hombridade de fazer: como não saberia escrever tão bem, torno meu o pedido de desculpas à Ana Lúcia escrito pelo blogueiro Alessandro Martins. [...]
Sem comentários, perfeito…
Abs.,
Rogério Caetano
Um Homem que deseja ser além do genérico.
Ótimo texto, mesmo. Acho que sou privilegiada por conhecer alguns homens não genéricos =)
Excelente texto!
Buscou coisas do cotidiano das mulheres, que como muitos outros abusos cotidianos, geralmente passam desapercebidos por quem não os sofre.
Adorei a percepção.
Mais uma vez tenho que puxar seu saco Alê!
Seu texto sobre o coelhinha-gate foi sensacional. seria tão legal se todos os homens fossem “lésbicos”.
parabéns pelo texto, cara.
fantástico e bem colocado: na medida certa da elegância.
tava maturando o que escrever sobre isso, mas vc foi melhor que eu poderia ser.
ainda assim, vou escrever.
porque acho que temos que passar adiante o que é melhor. senão, viramos uma humanidade genérica mais rápido do que já estamos virando.
abraço reverente.
Adorei o texto. Muito bom, muito bem escrito e de uma sensibilidade absoluta!
Parabens!
Abraços.
Ah, aparece no femme mutante…
Lindo texto mesmo. E que nunca mais os homens sejam genericos, sejam autenticos!
Nossa, há tempos eu não via uma sensibilidade tão grande num ser humano. Parabéns pelo texto e pelo olhar sensível às coisas desse mundo. É difícil encontrar alguém que olhe o que todo mundo vê, mas não consegue enxergar além. Vc acabou de adquirir uma fã! =D
gente … que texto lindo !
Meu broidi Moskito sempre diz que a diferença do estupro para um coyote [assobio irritante que os marmanjões soltam a ver uma bela mulher] é apenas a intensidade [ e o controle instintivo].
Psy,
de fato, tudo o que é invasivo é agressivo. Tudo precisa de contexto, mas para perceber esse contexto é uma necessária uma sensibilidade que, na média, não existe…
Abraços!
Priscila,
muito obrigado por seu comentário.
Abraços do Ale.
Ariane,
o engraçado é que por observar as mulheres de meu convívio e suas dificuldades cotidiana sempre pensei em escrever esse texto, que, ao mesmo tempo, me pareceu dizer coisas que deveriam ser tão óbvias… mas só agora me senti realmente motivado.
Obrigado por seu comentário…
Abraços…
Juju,
a autenticidade é seria a coisa mais natural… mas ainda vivemos em bandos…
Beijos do Ale e obrigado por seu comentário…
Camila,
sempre visito os blogs de quem comenta nos meus. Não deixei de dar uma passada no seu.
Beijos do Ale e muito obrigado por seu comentário.
Fernando,
não deixe de escrever. As idéias, principalmente as boas, devem se propagar. É para isso que serve essa grande rede.
Abraços do Alessandro.
Fábio,
sua aprovação é um verdadeiro selo de qualidade. Você sabe disso…
Abraços do Ale.
Claudia,
convivendo com diversas mulheres percebi essa coisa óbvia – o óbvio é a coisa mais escondida – sobre o quanto são irritantes e invasivos esses assédios, do menos ao mais ofensivo…
Beijos do Ale. Obrigado pelas palavras.
Joice,
que bom que você os conhece. É bom saber também que, como humanos, não estamos todos – homens e mulheres – perdidos.
Beijos do Ale.
Pri,
que bom que gostou da tentativa… beijos do Ale. Obrigado pelas palavras de carinho.
Obrigado, Ira.
Cooper,
estou na fase do “boa noite” agora. Seguido de café na cama.
Beijos do Ale.
Veronica,
de fato, não se deve generalizar. Por isso, eu usei o termo “genérico”, pois nem todos o são. Talvez mesmo um “homem genérico”, não seja o tempo todo genérico. Não se deve parar de procurar e acreditar.
Beijos do Ale.
Deitadanagrama,
não se deixe intimidar. Não se bloqueie e nem se deixe bloquear. Viva à vontade e seja feliz. Nascemos e estamos aqui para isso.
Beijos do Ale.
Cintia,
muito obrigado. Seja sempre bem-vinda a Cracatoa.
Beijos do Ale.
Caminhante,
sua aprovação e as suas palavras valem duas, três ou até mais estrelinhas.
Beijos do Ale.
Rogério,
vamos tentando. Nem sempre a gente consegue, mas vamos dando nossas cacetadas…
Abraços do Alessandro.
Traduzindo pro meu linguajá, o sentimento que faz com que o homem chame uma mulher de gostosa é o mesmo que a estupra. Eu não sei onde o ciclo começou e vou te perguntar: As mulheres são vendidas como bens de consumo e tidas como propriedade privada por que tem que procure e compre ou são compradas por que estão a venda?
(Te peguei, hein!)
A Dona Muriçoca – esposa – sempre diz essas coisas.
O engraçado, Ale, é que eu encontrei um homem genérico, agora, a poucas horas. Me deu medo e raiva.
O deus marte que habita em mim sempre quer que os homens genéricos sejam atingidos. Mas é uma guerra que eu não posso lutar. Só reclamar, ou tentar rir, ou correr muito rápido quando dá mesmo medo.
E agora, o que eu quero dizer é obrigado.
É como se eu tivesse ganho um alento, em um momento que precisava.
Chatíssimo. Uma tortura chegar ao final.
Muito bem colocado Alessandro. Um ótimo texto.
Nunca imaginei que tal assunto pudesse ser tratado dessa forma por um homem.
Um texto imperdível.
Um abraço
Rodolfo,
nesse caso, não deveria ter nem tentado chegar ao final. Não gosto de ver ninguém se torturando. Ainda mais com um texto meu.
Abraços do Alessandro.
J.
… lamento a coincidência e fico feliz que o texto tenha servido de algo.
Beijos!
Maga,
só não o escrevi antes por julgá-lo óbvio… pelo visto, às vezes, esquece-se de dizer o óbvio e, quando ele é dito, causa certa comoção…
Beijos do Ale.
não tenho a mesma elegância que você, mas foi: http://fantasticafabricadebarulho.blogspot.com/2009/01/pedido-de-desculpas-ao-homem-generico.html
É… hehe, ninguém me responde, mas vamos lá.
Dona Muriçoca me mandou um e-mail assim:
Oi Amore,
A eterna discussão sobre quem é o vilão a ser eliminado. Na história da humanidade temos inúmeros casos de violência contra a humanidade e grande parte dessa violência é contra a mulher.Resultado de uma sociedade que trata a mulher como um bem de consumo que deve ser “controlada” por alguém por não ter possibilidade de fazer isso sozinha. É verdade que o fato da mulher ser tratada como inferior ao homem é considerado uma coisa natural e até “divina”, já que as mulheres agem pela emoção e não pela razão como os homens. Entretanto é interessante observar que mesmo quando há uma defesa dos direitos das mulheres, isso sempre parece uma briga entre os sexos, pelo poder e controle, como se o fatos de sermos diferentes nos torna-se incompatíveis.
Temos que tomar cuidado para não caímos no golpe do isolamento, lutar pelo direitos das mulheres não diferente da luta política ou economica, ou seja,é uma luta de todos homens, mulheres, negros, índios e trabalhadores, pois somente toda a sociedade unida conseguiremos perceber que é pela diferença que nos tornamos iguais.
Muitos bjus,
Gra
obs: Gostei muito do texto me fez refletir.
Valeu, Moskito,
eu ainda não havia aprovado o seu comentário… mas agora já está… Abraços!
[...] Dois posts sensacionais sobre o assunto: Pedido de desculpas à coelhinha ou Tentando explicar o inexplicável, do Alê Martins, e Pedido de desculpas ao homem genérico, do Fernando Tucori. Vale muito à pena [...]
Embora eu ainda ache que todo o drama feito em cima da situação seja desnecessário o seu texto é o mais interessante de todos os textos desnecessários sobre o assunto… rs…
Beijos!
Há somente um ponto em que discordamos.
Creio que no momento que a maioria de nós fica indignada com o comportamento do cara, que certamente foi o comportamento do homem genérico, estamos diante de um momento de transformação.
Há 40 anos uma negra sentou num ônubus de brancos e as pessoas pararam para perceber que aquilo não devia ser um absurdo e notaram que já não achavam mais uma negra tão diferente de uma branca.
Algumas vezes a tomada de consciência é até meio repentina. Se o genérico tivesse feito isso há uns 5 anos talvez todos se unissem para ridicularizar a Ana Lúcia ou ela poderia ter aceitado calada e submissa.
Não mais…
Esse pode não ser o evento Rosa Parks do respeito às mulheres no Brasil, mas o momento está chegando.
Só gostaria que a Ana Lúcia Fernandes pudesse ser a última a ter que segurar as lágrimas em defesa da sua honra…
Simples como deveria ser. Perfeito. Por que complicar?
Realmente imagino ser difícil para os homens entenderem o quanto incomoda essa postura deles porque eles nunca sofrerão assédios como este. Mulheres não se deixam simplesmente levar pela aparência de um corpo bonito e pela necessidade de tocar ou exprimir o que pensam.
Elas querem sempre o algo mais que o homem traz dentro de si, muitas vezes distante dos olhos. O algo mais que nem sempre os homens se interessam em procurar na gente. Às vezes chego a pensar que alguns deles ignoram a existência disso.
Torço para que mais homens evoluam como você e aprendam que existem outras formas de apreciar o belo – e trazê-lo para si – sem constranger a dignidade feminina.
Ou acabaremos todas como as mulheres do oriente médio, nos cobrindo da cabeça aos pés, somente mostrando nossos olhos e, para ver algo mais, só casando…
Espero que esse pedido de desculpas chegue até a moça. Para mim já valeu o dia.
[...] de ideia.” Melhor ainda dois homens inteligentíssimos (e queridos) falando sobre a questão: Pedido de desculpas à coelhinha ou Tentando explicar o inexplicável, do Alê Martins, e Pedido de desculpas ao homem genérico, do Fernando Tucori. Eles vão além da [...]
[...] a maioria repudiou o sujeito. Felizmente, também, nem todos os homens são canalhas e esse texto sensível do Alessandro Martins comprova [...]
Báh Alê só mesmo tu para escrever um texto assim para pedir desculpa por um otário como esse pseudo-homem ou melhor como esse homem genérico! Adorei mesmo…. espero que Ana Lúcia tenha mais sorte e encontre homens mais sensíveis… Ah! e que leia este texto!!
estrelinhas coloridas pra ti…
Eu tinha até perdido a fé nos homens…
Esse texto me surpreendeu…
Infelizmente existem homens genéricos demais no mundo…
[...] Os links que falei acima: – No Cracatoa Simplesmente Sumiu – Na Abril – No Flickr do f_mafra – No Flickr do jiguryo – No Twitter do lebravo – No Flickr do [...]
É bem raro ver um homem que nota o quão incômodo pode ser um assobio. Todo mundo que conheço admite que estupro é um absurdo, mas não consegue entender a ligação entre um assobio e um estupro. É uma invasão. Como disse um dos comentaristas anteriores, são só diferentes graus da mesma coisa.
Incrível encontrar um texto como esse escrito por um homem, pois existem até mulheres que não se dão conta de quão abusivo é esse assédio. Pra ficar só num exemplo: numa aula de idiomas devíamos fazer frases do tipo “se eu fosse …, eu faria …”. Escrevi que se eu fosse homem, andaria pelas ruas sozinha sem medo. Uma mulher me disse “Ué, mas mulheres podem andar sozinhas sem medo.”
Li num dos comentários acima uma mulher dizendo que não sai de saia sozinha. Pois bem, mesmo saindo de gola rulê, calça comprida, sobretudo, cachecol e óculos escuros não escapamos. Acho o cúmulo que logo cedo, caindo de sono no metrô, percebo aqueles olhares incômodos. A saída é fitar o chão.
Obrigada pelo texto, Alessandro! Me fez recuperar um pouco a fé na humanidade.
Eu não comentei antes mas já tinha lido esse texto logo quando foi escrito e adorei, também me senti incomodado por ser tratado sempre como “homem-genérico” e esse texto me fez ver o porquê, assim como o texto que me trouxe até aqui que foi escrito por Fernando nesse link: http://fantasticafabricadebarulho.blogspot.com/2009/01/pedido-de-desculpas-ao-homem-generico.html
Demorei mas aqui estou, para agradecer ao autor por demonstrar que não somos todos iguais e deixá-las ter pelo menos um pouquinho de credibilidade ainda para conosco. Não sou um exímio escritor mas acho que sei tratar uma mulher como ela merece ser tratada…
Ah, farei esse texto chegar até a Ana, ela me disse esses dias que não o leu, o que eu achei uma pena! Farei-a ler o quanto antes, ok?
Abração,
Rafael Diresta Argemiro.
Rafael,
fico feliz que tenha gostado e, caso esse texto chegue à Ana, espero que ela goste também.
Abraços!
Fui ler esse texto só agora, mas não posso deixar de dar os parabéns. Fico muito feliz ao ver gente que enxerga o problema por esse ângulo, que não acha que cantada grosseira é “fichinha” e que reclamar disso é coisa à toa, ou que bota a culpa nas mulheres por (supostamente) se vestirem mal ou por não reagirem.
ALESSANDRO…
MUITO OBRIGADA PELO JESTO HUMILDE,
PELO CARINHO E POR SE IMPORTAR PELO OCORRIDO.
SOMENTE AGORA, VI ESTE SITE.
AGRADEÇO PELA MANIFESTAÇÃO E COMENTÁRIOS!!!
VC DISSE TD, NÃO FALTOU NADA, PERFEITO!!!
RESPEITO É FUNDAMENTAL!!!
“NÃO FAÇA AO OUTRO, AQUILO QUE NÃO GOSTARIA
Q FIZESSEM COM VC, ALGO OU ALGUÉM QUE AME”.
OBRIGADA. =]
Alê, saiba que toda vez que um homem genérico cruza meu caminho, é aqui neste post que venho buscar consolo. Mas desta vez não foram “elogios” na rua ou mãos bestas. Foi um genérico se aproveitando da minha impossibilidade de ir embora naquele momento para gritar e me apontar o dedo. Mais machista e covarde que isso, só se tivesse me batido.
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