Tinha preguiça de fazer compras. Por isso, sempre procurava nos supermercados compradores distraídos. Não podia ser qualquer um. O carrinho de compras devia ter algumas das coisas de que ele estava precisando em casa. Por entre as gôndolas, selecionava com cuidado. Além de suas necessidades, que serviam de critério para a escolha, sempre encontrava algumas surpresas: mercadorias que constituiam a parcela de individualidade que diferenciavam suas vítimas dele mesmo. Na saída, passava pelo caixa e pagava normalmente, enquanto o outro, perplexo, perdido entre prateleiras, tentava reconstruir sua personalidade.

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