Uma história acontecida em meu quarto, portanto baseada — eu disse, baseada — em fatos reais:

Ela dizia alguma coisa quando ele acordou. Algo como Olha que lindo.

A janela do quarto dele ia do teto ao chão, virada para as montanhas onde, além das casas que se esparramavam quase até o horizonte, nasceria o sol.

Ainda não havia nascido, mas já espalhava nas nuvens, que deixavam entrever aqui e ali um pedaço de céu, um vermelho-sangue que nem parecia verdade. Como se não fosse simplesmente nascer o sol, mas acontecer alguma outra coisa diferente daquele fato cotidiano, como se a serra do mar fosse incendiar inteira.

Ficaram ali deitados em silêncio, a morrer de sono naquele domingo, a olhar naquela direção, querendo voltar a dormir, mas com medo de perder alguma coisa. Ela pediu para trocar de lugar com ele, pois do lado da janela era mais fácil ver e o corpo dele estava na frente.

Disse que, se possível gostaria de estar sentada em uma das montanhas cuja silhueta se via destacada naquele fogo azul e vermelho. Na menor de todas, mais à direita. E nem precisava ser no alto. Podia ser no meio dela, para não ter que subir tudo.

De fato, estava com sono.

Foi quando eles viram.

No meio daquele espetáculo, uma pequena nuvem se destacava. Estava entre as montanhas e as janelas, como se, a exemplo deles, observasse tudo aquilo também, de longe.

Era uma nuvem pequena, pequena mesmo. Os dois concluíram que só poderia ser a Nuvenzinha Feliz. Rapidamente, ele pulou da cama e pegou a luneta. Uma daquelas retráteis como as dos piratas.

Olhou e percebeu que estavam certos. Passou a lente para ela e ela concordou.

A nuvem tinha olhinhos, nariz e boquinha! Era mesmo a Nuvenzinha Feliz, que passeava por ali.

Foi quando dormiram novamente, sem chegar a ver o sol que dali a pouco se ergueria sobre a cidade. Adormeceram felizes, como feliz era aquele ser feito na verdade de vapor d’água. Um fenômeno meteorológico, por assim dizer.

Eles desconheciam esses detalhes físico-químicos.

Agora que você já leu o texto todo, que tal compartilhar com seus amigos? É só clicar nos botões abaixo!

Leia também:

  • Surpreendente clichê
  • Como solucionar: duas histórias com pasta de dente
  • Carta do improvável desiludido do amor à improvável estrela do rock
  • Michel Melamed, sobre a incondicionalidade do amor
  • Filmes que não dariam certo 1
  • A falta que asdfg faz
  • Surfe
  • Cracatoa destaca de 20.12.2008 a 23.12.2008
  • Como saber que você perdeu a garota