O terceiro mandamento do decálogo judaico-cristão – Não Levar Seu Santo Nome em Vão – é, para mim, dos dez, o que mais faz sentido, embora os outros nove tenham lá seus encantos quando comparados ao habitual comportamento humano.

Eis minha interpretação.

Acontece que a compreensão da existência ou não existência de um deus – note que eu não disse o deus – está tão acima das capacidades de nossos veículos de manifestação – físicos, emocionais, mentais e até mesmo intuicionais -, que nem vale a pena tocar no assunto.

Isto é: não temos como expressar tal debate pelos meios habituais. Seria o mesmo – eu diria que é ainda mais absurdo – que uma cenoura tentar entender a existência, os desígnios e ações humanos.

Portanto, se alguém me pergunta se acredito ou não em Deus, costumo conduzir a conversa para coisas de que eu entendo minimamente.

Cenouras, por exemplo.

O terceiro mandamento, na verdade, está dizendo: “Nunca se refira a Deus, seu saco de batatas. Não vale a pena. Viva sua vida direito e não se preocupe com o que não lhe diz respeito.”

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