Um homem sozinho é uma pedra. Não no meio. Mas na beira do caminho. Um homem sozinho mal se mexe. Ele merece seu descanso, bicho à espera da presa. Ninguém tropece em seus pés, bem recolhidos sob a mesa ou esbarre em seu copo ou o incomode com vãs palavras enquanto ele espera a refeição. Não. Um homem sozinho quer mais que só bravatas. Ele quer uma arma de raios de desintegração, pois o bar tá muito cheio. Ou, então, uma porção de batatas serve. Ou um sanduíche, repartido no meio, duas fatias de pão de centeio como sua vó fazia. Um dia ele larga tudo e volta pra de onde veio, ser sapateiro. Dias inteiros com as solas dos outros nas mãos são dias cheios de pegadas no ar. Não levam a nenhum lugar, melhor ficar. Sapatos ao alto, pés sob a mesa, pedras no caminho, não mais amar. Um homem sozinho, mesmo calado, é um homem que diz: não mexe com quem tá quietinho.

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