Sempre incomodou-me o fato de que Peter Parker, ao ser picado por uma aranha radioativa, só herdou de sua agressora as boas qualidades, como super-força, flexibilidade, reflexos, sentidos aguçados e a capacidade de subir pelas paredes. As más qualidades, como pernas excessivamente peludas e um possível mau hálito, ficaram de lado.

Pensando nisso, numa noite dessas, quando Júlia pediu-me uma história para antes dormir (detalhe: ela é minha namorada), contei-lhe a seguinte.

Era uma vez, um jovem estudante. Ele era muito esforçado e inteligente. E, por isso, foi um dos escolhidos para uma excursão em um laboratório que estudava radioatividade, a fim de conhecer objetos, pessoas e aranhas radioativas.

Enquanto passeava por uma das salas radioativas, não percebeu que uma das aranhas havia escapado e andava por seu  braço. Quando, então, foi picado.

Voltou para casa com o membro (o braço) bastante inchado. Preocupado, não falou nada para seu tio e sua tia. Achou que iria perder o membro (o braço). Até que, com febre e dor, em meio a delírios, adormeceu.

Quando acordou, descobriu que não estava mais com o braço inchado. Não sentia dor nenhuma.

Mas não estava mais forte e nem subia pelas paredes como seria de esperar.

A única coisa que a aranha lhe transmitiu foi o poder de comer moscas e achar isso particularmente gostoso.

Descobriu esse poder em uma aula de biologia.

Ninguém sabe que ele tem essa capacidade. Ele não pode contar.

Porque isso não é coisa que se conte.

Fim.

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