História contada pelo amigo Guilherme. Ele trabalha com marketing ou algo assim. Numa de suas missões, estava atrás de algum artigo que pudesse servir de brinde e lembrança para os participantes de um evento que estava promovendo.

Não lembro exatamente o que era. Assim, vou mudar os detalhes de que não lembro, mas garanto a você que isso não alterará o desenrolar do enredo.

Digamos que fosse uma convenção de detetives. Ele encontrou então, em uma loja, um daqueles olhos contra mal-olhado o que, para detetives, poderia ter muitas conotações: olho-vivo, proteção contra o olho gordo de maridos e esposas investigados bem de algum possível malfeitor ou concorrente. A idéia era essa.

Foi até a atendente da loja que, possivelmente, estava jogando paciência no computador:

- Por gentileza, minha senhora. Eu poderia fotografar esse produto? É que estou realizando um evento e talvez tenha que comprar umas três cente…

- Olha. Não pode fotografar não.

- Mas é só fotografar, é que eu tenho que…

- Não dá não.

A essa altura já tinha se arrependido de, educadamente, ter pedido permissão para fazer a foto.

- E por que não pode?

A vendedora para a colega.

- Mara, sabe por que não pode?

- Ah… não sei não. Melhor não. Não pode não…

Ele, ao desistir de contar no terceiro ou quarto não,  achou melhor falar com o proprietário.

- E se eu falar com o dono?

- Ah, se a dona deixar, então acho que tudo bem.

- E posso falar com ele?

- Com ela.

- E posso falar com ela?

- Claro!

- Então.

- Agora não dá…

- Por quê?

- Por que ela está lá em cima – disse apontando com o queixo uma escada que levava a uma porta fechada.

- Você não pode chamá-la um instante?

- Ah… agora não vai dar. Ela não gosta de ser incomodada. Por que o senhor não volta amanhã?

- Ah… tá bom. Eu volto amanhã. Aliás, como é o nome dela?

- Dona Efigênia.

Ele, gritando:

- DONA EFIGÊNIA!

A vendedora com cara de assustada.

Dona Efigênia coloca o rosto simpático na porta entreaberta.

- Posso fotografar estes produtos? É que talvez eu tenha que comprar uns 300 para um evento que estou fazendo…

- Claro, claro! Pode fotografar tudo.

E, simpaticamente, colocou a cara de volta para dentro da porta, fechando-a.

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