Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
27 nov 2009
História contada pelo amigo Guilherme. Ele trabalha com marketing ou algo assim. Numa de suas missões, estava atrás de algum artigo que pudesse servir de brinde e lembrança para os participantes de um evento que estava promovendo.
Não lembro exatamente o que era. Assim, vou mudar os detalhes de que não lembro, mas garanto a você que isso não alterará o desenrolar do enredo.
Digamos que fosse uma convenção de detetives. Ele encontrou então, em uma loja, um daqueles olhos contra mal-olhado o que, para detetives, poderia ter muitas conotações: olho-vivo, proteção contra o olho gordo de maridos e esposas investigados bem de algum possível malfeitor ou concorrente. A idéia era essa.
Foi até a atendente da loja que, possivelmente, estava jogando paciência no computador:
- Por gentileza, minha senhora. Eu poderia fotografar esse produto? É que estou realizando um evento e talvez tenha que comprar umas três cente…
- Olha. Não pode fotografar não.
- Mas é só fotografar, é que eu tenho que…
- Não dá não.
A essa altura já tinha se arrependido de, educadamente, ter pedido permissão para fazer a foto.
- E por que não pode?
A vendedora para a colega.
- Mara, sabe por que não pode?
- Ah… não sei não. Melhor não. Não pode não…
Ele, ao desistir de contar no terceiro ou quarto não, achou melhor falar com o proprietário.
- E se eu falar com o dono?
- Ah, se a dona deixar, então acho que tudo bem.
- E posso falar com ele?
- Com ela.
- E posso falar com ela?
- Claro!
- Então.
- Agora não dá…
- Por quê?
- Por que ela está lá em cima – disse apontando com o queixo uma escada que levava a uma porta fechada.
- Você não pode chamá-la um instante?
- Ah… agora não vai dar. Ela não gosta de ser incomodada. Por que o senhor não volta amanhã?
- Ah… tá bom. Eu volto amanhã. Aliás, como é o nome dela?
- Dona Efigênia.
Ele, gritando:
- DONA EFIGÊNIA!
A vendedora com cara de assustada.
Dona Efigênia coloca o rosto simpático na porta entreaberta.
- Posso fotografar estes produtos? É que talvez eu tenha que comprar uns 300 para um evento que estou fazendo…
- Claro, claro! Pode fotografar tudo.
E, simpaticamente, colocou a cara de volta para dentro da porta, fechando-a.
Um comentário para "Dona Efigênia"
Ótimo! Fiquei fã do Guilherme. Eu teria dado as costas e nunca mais voltaria pra loja.
Escreva um comentário