Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
31 jan 2010
Tinha preguiça de fazer compras. Por isso, sempre procurava nos supermercados compradores distraídos. Não podia ser qualquer um. O carrinho de compras devia ter algumas das coisas de que ele estava precisando em casa. Por entre as gôndolas, selecionava com cuidado. Além de suas necessidades, que serviam de critério para a escolha, sempre encontrava algumas [...]
30 jan 2010
Para cantar com a melodia de Geni e o Zepelim, de Chico Buarque de Hollanda. Nem toda a métrica ficou perfeita, mas forçando um pouco cabe. Há rimas de que me orgulho, outras nem tanto e, em alguns lugares, não consegui preservar a estrutura original. Mas pelo tempo que levei para fazer e pelo contexto, [...]
25 jan 2010
Neste dia 28 de janeiro estarei na Campus Party 2010, em São Paulo. Participarei do painel sobre Direito e Internet que vai falar sobretudo das questões jurídicas – processos, notificações extrajudiciais e tudo o mais – com que os blogs vem se envolvendo. Leia sobre o painel Direito e Internet do Campus Party no QueroTerUmBlog [...]
21 jan 2010
A questão do umbigo de Adão e Eva já fartou teólogos e até mesmo fóruns da internet com sua duvidosa relevância. Afinal, se eles não estiveram ligados por cordão umbilical algum a útero, não deveriam tê-lo. Na dúvida – e para preservar a plasticidade de suas obras – a maior parte dos artistas importantes os [...]
5 jan 2010
Era modelo de antes e depois. Especializado. Muito simples. Se o produto era de emagrecimento, engordava e fazia a primeira foto. A do antes. Depois usava o produto, emagrecia, e fazia a foto do depois. Se a propaganda era de produto para calvície, raspava os cabelos, dava uma lustrada. Depois, deixava crescer. Cada uma das [...]
21 dez 2009
Isto certamente foi inspirado pelo Thiago Gonçalves. Eu andava por uma casa velha, antiga mesmo. Uma casa abandonada. Um murmurar coletivo chamava minha atenção, vindo do porão e me compelia na direção daquela escada. No subsolo, o murmúrio foi ficando mais alto. O lugar se dividia em diversos cômodos e eu avançava por um corredor. [...]
16 dez 2009
História contada pela Júlia. Uma criança atravessava a rua com uma senhora. Pararam na beira da via. Ela, preocupada em ensinar as filigranas da segurança do pedestre, se volta para o garoto com seus, sei lá, cinco ou seis anos: – Muito bem. Agora que estamos prestes a atravessar a rua, qual é a primeira [...]
14 dez 2009
Noto ultimamente uma mania interessante das celebridades e naqueles que nelas se espelham. Dizem eles: – Sou guerreiro. – É… tem que ser guerreiro. – Foi difícil. Mas fui guerreiro. – Vai ser um jogo disputado. Mas a equipe é guerreira. – Se você não for guerreiro, não consegue. Que porra. Ninguém mais quer ser [...]
5 dez 2009
Não que eu despreze você. Se eu pensasse em você, eu desprezaria. Como disse Humphrey Bogart em Casablanca. Não que eu queira lembrar ou esteja preso a algum passado. Eu apenas apaguei você, como Jim Carrey em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Não que, mesmo esquecendo, eu ignore que você exista. Eu apenas [...]
3 dez 2009
Dizem que o roteiro de Despedida em Las Vegas, com Nicholas Cage e Elisabeth She, era sobre um fisiculturista decadente que, após perder o seu último Mister Universo ainda nas etapas iniciais e se divorciar, decide ir para Los Angeles e usar esteróides anabolizantes até morrer. Lá ele encontra uma balconista de farmácia corrupta, os [...]
2 dez 2009
Hoje, no Mercado Municipal de Curitiba, paguei R$ 3 por um cestinho de amoras. E lembrei que, quando era criança, havia um pé delas no quintal de minha casa. Antes da escola – eu estudava à tarde – eu subia no telhado do paiol onde meu avô guardava ferramentas e outras utilidades e, direto da [...]
27 nov 2009
História contada pelo amigo Guilherme. Ele trabalha com marketing ou algo assim. Numa de suas missões, estava atrás de algum artigo que pudesse servir de brinde e lembrança para os participantes de um evento que estava promovendo. Não lembro exatamente o que era. Assim, vou mudar os detalhes de que não lembro, mas garanto a [...]
11 nov 2009
Toda casa tem, ou deveria ter, um objeto onde coisas soltas são guardadas. Uma sopeira no meio da mesa, um vaso sem flor sobre uma cômoda, uma chaleira de estanho, um pote na estante, uma gaveta. O nome desse objeto é coisarada, pois todas as coisas soltas nele são guardadas, e ele tem geração quase [...]
11 nov 2009
Considero relevante o fato de termos um verbo derivado do substantivo mentira e nenhum derivado do substantivo verdade. Os verbos surgem a partir da frequência maior ou menor com que os usuários do idioma executam determinada ação ligada a determinado objeto, concreto ou não. No caso, a mentira ou a verdade.
5 nov 2009
(para ser encenado à tarde, em espaços pequenos, para uma platéia completamente vazia) Ele – Gostosa. Ela – Putinho. Ele – Gostosa. Ela – Putinho. Ele – Gostosa. Ela – Putinho. (pausa) Ela – Gostoso! Ele – Putinha!