Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
20 mai 2011
Aquele coração que você viu pendurado na parede é o meu. Ele pende de um fio de náilon que, por sua vez, está amarrado a um prego de metal. O prego perfura a parede de cimento e tijolos. Alguns farelos da alvenaria se encontram no chão. A perfuração feita a martelo não é precisa. Por [...]
17 mai 2011
Tenho recebido alguns pedidos para apagar comentários deste post: Como se tornar ator pornô no Brasil Que, aliás, está com os comentários fechados há algum tempo. Acontece que, em primeiro lugar, os sujeitos não percebiam que se tratava de uma entrevista e não a página de uma produtora e comentavam deixando seu currículo, medidas íntimas [...]
7 mai 2011
Foram 3 sessões e a última foi ontem, para colorir. Todo mundo pergunta o que aconteceu em 1883. Posso adiantar que foi algo que está ligado diretamente a este blog/site: confira clicando aqui.
27 abr 2011
A buzina deveria ser banida dos carros e dos automóveis pois já demonstramos a incapacidade e a falta de civilidade suficiente para usá-la. Obviamente, não tenho estatísticas exatas, mas de todas as vezes que ouço uma buzina ser usada, estimo que apenas uns 5% são em uma ocasião e de modo adequados. Estou sendo otimistas. [...]
20 abr 2011
Conta a lenda que uma famosa empresa multinacional com fábrica em São Paulo estava com um problema sério. Algumas de suas caixas de pasta de dente estavam indo para o mercado sem a bisnaga dentro. Foram contratados dois engenheiros de produção muitos famosos no meio. Depois de algumas semanas trabalhando em cima da solução, os [...]
20 abr 2011
Um dia desses li no Twitter. Alguém escreveu: em 100 anos todos os seres humanos serão substituídos. Imediatamente fiquei imaginando a que tipo de teoria da conspiração dos infernos aquele infeliz era filiado. E, de repente, olhando para o lado e vendo as pessoas em meu entorno, pensando em outras que ali não estavam, me [...]
17 abr 2011
Eu era criança. Meu pai disse que traria, do trabalho, um imã para mim. Fiquei a tarde inteira esperando a volta. Primeira decepção: o imã não tinha aquele formato de ferradura, não era vermelho e não era pintado de prateado nas pontas. Era quadradinho e pretinho. Segunda decepção: o imã não soltava raiozinhos. Terceira decepção: [...]
10 abr 2011
Que tudo se foda, disse ela. E se fodeu toda. Genial. De Paulo Leminski.
8 abr 2011
Um texto meu, A Menina Mais Linda do Colégio, foi escolhido pelo grupo Teatro de Breque para compor a história do espetáculo Com Amor, que tem sua penúltima apresentação no Festival de Curitiba, hoje às 22h, no Espaço 2 (Comendador Macedo, 431). Aliás, eu o assistirei hoje. Amanhã, sábado, à apresentação é às 19h. Com [...]
4 abr 2011
“Todo mundo já se sentiu algum dia como Charlie Brown ao tentar chutar a bola segurada por Lucy”, pensou ele. “Dane-se Lucy. Não mire na bola. Mira na cara da vagabunda. Uma botinada bem dada vai fazer aquela vadia aprender.” E na hora ela também tira a cara da frente. Dane-se o chute. Saia no [...]
24 mar 2011
Então o cara olhou para o chão do box e viu aquele líquido vermelho, mistura de água e sangue. Percebeu que seu pau ainda pingava algumas gotas que, ao tocar os azulejos, faziam desenhos abstratos bastante interessantes. – Merda. Acho que vou morrer de hemorragia até o amanhecer. Exagero, claro. Mas quando o chão do [...]
22 mar 2011
Nenhuma nudez é completa. Pois esta nudez é a de agora e a de há pouco já era. Mas tem mais. Tem a nudez do olho e a nudez do corpo. A nudez da palavra e a nudez da pele. E a nudez da frente e a nudez de trás. Que mesmo com um espelho [...]
17 mar 2011
Todos aqueles que porventura conheceram um casal com relacionamento aberto acabam por admirá-lo, por seu desprendimento, desapego e emoções bem resolvidas. Mas apenas os homens acabam demonstrando. Com entusiasmo de cachorrinho que acabou de ser solto da coleira. Não estou, naturalmente falando das exceções, mas da generalização. Acontece que a mulher, em geral (a partir [...]
21 fev 2011
Minha casa é na esquina de suas pernas. Onde coloco-me em parte, mas como se fosse todo. Suas pernas, o encontro de meu lar. O intervalo entre o instante em que elas a trazem e o momento em que elas a levam de mim é o único agora possível. Andar é acessório. Elas foram feitas [...]
7 fev 2011
Deve haver uma definição sociológica, econômica e científica para a classe média, estudada nas universidades. Porém nada define mais a classe média que os folhetos de lançamentos imobiliários distribuídos nos semáforos. Eles são sempre uma fotografia, um instantâneo dos anseios mais medíocres dos seres que de livre vontade se encaixam nesse grupo, naquele momento, naquele [...]