Há certas percepções que só nos são dadas quando podemos assimilá-las.

De vez em quanto, um sujeito as obtém antes de ser capaz disso. Assim nascem os loucos.

No que diz respeito às outras pessoas e como nos relacionamos com elas, sabemos que esses laços, por mais duradouros, permanentes e absolutos que pareçam, são temporários.

Dizer que se sabe isso é uma coisa.

Saber, efetivamente, outra. Ter essa sensação, de fato, pode ser esmagador. Como se fôssemos passageiros de uma viagem em que mesmo a paisagem, por si só fugidia, está se desmanchando.

Não é a solidão. É uma ideia, que pode ser insuportável, de independência das coisas, como se o mundo fosse separado de si. No entanto, é essa ideia que sustenta os pequenos, os grandes, os bons e os maus apegos daqueles que a percebem e daqueles que não a percebem também.

Mas mesmo essa ideia é uma ilusão.

Na verdade, talvez vivamos em diferentes bolhas de sabão. A duração dessa bolha não importa. 10 segundos, 100 anos, que diferença faz para a idade de uma estrela?

Uma hora, a bolha estoura. E o ar que está fora da bolha é o mesmo que o que está dentro. E o mesmo que está dentro das outras bolhas que nos orbitam. E, surpresa, só há ar.

Mas isto já seria uma outra percepção.

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