Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins
23 jul 2010
Há certas percepções que só nos são dadas quando podemos assimilá-las.
De vez em quanto, um sujeito as obtém antes de ser capaz disso. Assim nascem os loucos.
No que diz respeito às outras pessoas e como nos relacionamos com elas, sabemos que esses laços, por mais duradouros, permanentes e absolutos que pareçam, são temporários.
Dizer que se sabe isso é uma coisa.
Saber, efetivamente, outra. Ter essa sensação, de fato, pode ser esmagador. Como se fôssemos passageiros de uma viagem em que mesmo a paisagem, por si só fugidia, está se desmanchando.
Não é a solidão. É uma ideia, que pode ser insuportável, de independência das coisas, como se o mundo fosse separado de si. No entanto, é essa ideia que sustenta os pequenos, os grandes, os bons e os maus apegos daqueles que a percebem e daqueles que não a percebem também.
Mas mesmo essa ideia é uma ilusão.
Na verdade, talvez vivamos em diferentes bolhas de sabão. A duração dessa bolha não importa. 10 segundos, 100 anos, que diferença faz para a idade de uma estrela?
Uma hora, a bolha estoura. E o ar que está fora da bolha é o mesmo que o que está dentro. E o mesmo que está dentro das outras bolhas que nos orbitam. E, surpresa, só há ar.
Mas isto já seria uma outra percepção.
Um comentário para "Bolhas"
Yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse…
Serrat/ Cantares
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