Começo a observar entre os currículos e atribuições oferecidas pelas garotas de programa na internet algo que elas chamam de beijo grego.

Amanda Tem 19 anos, um metro e setenta, bela bunda, seios grandes e durinhos (não é siliconada). Universitária, pouco tempo em Curitiba, bom nível cultural. Realiza todas as suas fantasias. Faz oral, anal e espanhola.

E, em negrito, mais abaixo:

Dá beijo grego.

Antes que se esclareça o que é o tal beijo grego, há que se fazer uma sucinta análise do anúncio, para revelar ao leitor quanta coisa se esconde por trás de um texto tão comum e trivial.

Não que isso vá ajudar na elucidação do que seria este ósculo de nacionalidade tão exótica, mas sempre é uma forma de se passar o tempo. Diga-se de passagem que a nacionalidade grega é exótica para nós apenas. Para os gregos, nada mais trivial e comum que ser grego.

Idade
Bem. A maior parte das garotas de programa da internet têm 19 anos. Algumas delas, desde que eu tenho um computador e privacidade para observar, como um voyer, essas meninas que por uns trocados entregam seu corpo a algum corpulento, suarento e fedorento pai de família, estão nessa idade. E, olha, faz algumas dezenas de meses e elas ainda não fizeram aniversário.

Ou seja, para uma garota de programa é vantajoso ter 19 anos de idade. Afinal é quase 18 e não se corre o risco de se cometer algum delito.

- Mas, delegado, ela garantiu que tinha 18.

- Eu, não! Eu disse que iria fazer 18 na semana que vem!

Estatura
Um metro e setenta é a altura ideal para uma garota de programa, pelo visto. A maioria delas, não todas, está nesta faixa. Em termos de idade, sim, mas em termos de altura, no entanto, não é possível ludibriar ou manipular as sutis facetas da verdade.

Portanto, vamos chamar isso de uma feliz coincidência. Com um metro e oitenta elas seriam muito altas e, visto que o brasileiro médio dificilmente chega a essa altura, não serviriam para elegantemente acompanhar um banqueiro em um jantar de negócios. Pois ser mais baixo que a acompanhante é algo que não se admite nos meios empresariais.

Porém, com essa estatura, seriam ótimas para que, na cama o sujeito pudesse se sentir completamente abarcado por tronco, braços e pernas que não acabam mais. Um metro e cinqüenta pode ser muito pouco, mas é recomendável para aqueles que, ainda que muito fracos, queiram sentir a sensação de poder que é, em pé, quero dizer, com o corpo todo em posição vertical, sustentar uma garota e vigorosamente, com ajuda da força dos braços e com ela a enlaçá-lo com as pernas, empalá-la para cima e para baixo no membro viril até que se desmaie de exaustão antes mesmo de se gozar.

Profissionais com menos de um metro e cinqüenta são muito raras segundo minhas pesquisas, o que me leva a concluir que abaixo dessa estatura as mulheres são principalmente para serem amadas e não servem como putas. Pelo menos não profissionalmente. Mas aí entramos no campo das amadoras, ao qual não nos propusemos neste momento.

Atributos físicos esculturais
A bunda, dizem é a preferência nacional. Coisa que tem mudado com o advento do silicone e com a forte influência dos filmes americanos, tanto os infantis como os pornográficos. Mas de fato, o item bunda consta como importante nos currículos dessas profissionais e não há portfólio fotográfico completo em que elas não apareçam, de alguma forma, a exibir tais atributos.

O ser humano, de fato, sobretudo aquele mais voltado para os aspectos estéticos da vida, é atraído pelas formas redondas e aerodinâmicas. Malditos anos oitentas, quando os carros eram tão quadrados e lembravam tão pouco as bundas.

Silicone
O mais comum hoje é o silicone nos peitos. Pode-se dizer sem erro que até as freiras se utilizam desse subterfúgio para aumentar os seios, fato que não se revela porque eles ficam enclausurados sob dezenas de bandagens e sutiãs a fim de aplacar a ânsia da carne.

Uma mulher com seios grandes, rijos, a desafiar as leis de Newton, e que nunca passou pelo bisturi dos discípulos de Pitanguy é uma raridade hoje em dia. Portanto, é essa a razão pela qual as profissionais chamam a atenção para esse fato quando é possível. Querem pegar o cliente pelo diferente.

Confesso que nunca sequer dividi a cama, sequer para dormir, com uma mulher com silicone nos seios, apesar diversas delas fazerem pouco das leis da Física Universal. Mas gostaria de avisar que não tenho preconceitos quanto a adendos artificiais, sejam eles tatuagens, piercings ou, mais radical, silicone. Ao contrário, até gosto.

Universitária, pouco tempo em Curitiba, bom nível cultural
O fato de ela ser universitária não chega a ser uma garantia de que ela não falará “prástico” ou “poblema”. Mas pelo menos é certo que vai saber chamar o táxi na hora de ir embora ou processar você em caso de agressão.

Estar em Curitiba há pouco tempo é vantagem, não tanto daquele fetiche antigo da francesa nova no bordel, mas principalmente por não ter adquirido ainda os falsos pudores de grande parte das garotas locais que dificulta em muito a obtenção dos doces prazeres que se seguem.

Todas as suas fantasias
Em geral, os pais de família que procuram essas facilidades não têm muitas fantasias. Elas se limitam a resfolegar durante alguns pouquíssimos minutos sobre uma bela mulher e desmaiar sob o peso e o fastio de um sexo muito mal feito. Isso torna esse item muito fácil de ser cumprido pela profissional em questão. Mas sempre surge aquele cara que quer ser chicoteado, enquanto ela canta a Marselhesa e faz um número de sapateado irlandês levemente untada com mel. De outra forma, ele não goza.

Oral, anal, espanhola
Houve época em que sexo oral e sexo anal eram tão de outro mundo que chegava a constar nas capas dos filmes em locadoras se havia ou não tais práticas ao longo da fita. Não lembro se elas chegavam a mudar de preço por conta disso. Hoje, se esses itens já não vierem de fábrica, a produção está fadada ao fracasso e a ficar encalhada nas prateleiras. �? tão absurdo, na verdade, quanto falar de um filme de corrida sem carros. Nem se aventa a possibilidade.

Espanhola é quando a mulher envolve o pinto ereto do sujeito com seus seios e o conduz gentilmente, dessa forma, ao orgasmo. Naturalmente, a profissional que ora analisamos está em vantagem pois acaba de afirmar que tem grandes e firmes seios não siliconados. Detalhe, sem anal é R$ 70. Com anal, R$ 100.

E, finalmente, o beijo grego
Antes de descobrir, afinal o que era o tal do beijo grego, pensei em substantivos que comumente levassem esse adjetivo de nacionalidade. A primeira coisa que me ocorreu foi muito pouco erótica, o que me fez desistir imediatamente das tentativas analógicas.

Aqui perto de onde eu trabalho, um açougue vende, há décadas, o que chamam de churrasquinho grego. Consiste de uma pilha de bifes de qualidade duvidosa transpassada por um espeto vertical que gira enquanto aquilo tudo assa lentamente.

O cidadão que quer saborear tal iguaria, observa o atendente tirar lascas daquele cilindro de carne e colocá-las dentro de um pão com diversos temperos, certamente na intenção de disfarçar o sabor, digamos, exótico. Ao longo do dia, o cilindro fica mais estreito, a medida em que os glutões se saciam.

De fato, pouco erótico. A melhor solução foi ligar para a tal Amanda.

- Mas, afinal, o que é o beijo grego?

- �? quando eu dou beijinhos no cuzinho do cliente…

Ok. Prefiro continuar a chamar de beijo no cu mesmo. Afinal, isso nunca foi uma exclusividade mediterrânea.

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