Quando eu fugi de casa senti o que costumo chamar de não querer mais voltar. Já havia andado quilômetros. Suficientes para me perder, perder a conta dos dias e perder você. Só para sentir como é aquilo que costumo chamar de não querer mais voltar. Andar é bom. Tem a ver com o que costumo chamar de equilíbrio e desequilíbrio. O corpo se projeta à frente e rápida a perna se adianta, ampara a queda. Numa sequência que costumo chamar de passos. Que constituem o que costumo chamar de caminho. Andar é bom. Tem a ver com ouvir sua a voz às minhas costas. Com a sua mão estendida para a minha, com a minha tocando a sua, que me conduz para aquilo que costumo chamar de casa. Andar é bom. Tem a ver com o que costumo chamar de sentir vontade de voltar ardentemente. Pois você sempre está em meu caminho. E meus passos sempre acabam me levando até aquilo que costumo chamar de…

… você.

via conteúdo antigo (dá para ouvir aqui ó)

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