Um dos artigos mais acessados do blog Cracatoa Simplesmente Sumiu é uma entrevista que fiz com o então assessor de imprensa da Buttman intitulada Como Ser Ator Pornô.

Depois de receber dezenas de pedidos de ingresso na carreira, como direi, artística – tão nobre quanto qualquer outra carreira, diga-se de passagem -, resolvi colocar um aviso no início do texto.

O parágrafo – curto e claro – diz:

Atenção: este site não recebe pedidos para ingresso na carreira de ator pornô. Isto é uma entrevista. Se você quer ser ator pornô, procure uma produtora especializada em filmes pornográficos. Obrigado.

Não foi suficiente. Aparentemente, as pessoas que acessam o artigo só conseguem dominar os vocábulos do título e algumas poucas palavras da língua portuguesa, suficientes apenas para descrever sua parafernália genital.

Como eu me candidatei a ser astro pornô

Mesmo depois da publicação do aviso, os pedidos continuaram a chegar. Durante algum tempo, tive o escrúpulo de bloquear os comentários.

Porém, como a água que busca o ponto mais fraco do dique, as mensagens passaram a chegar via formulário de contato.

Depois, considerando que todos os comentaristas adotam pseudônimos e os endereços de email não aparecem ao público, passei a deletar apenas aqueles que dessem dados pessoais como telefone e endereços de quaisquer espécies no corpo da mensagem.

Não vi razão para não compartilhar com o público o formidável compêndio da anatomia humana em que a lista de comentários vem se transformado a cada dia.

Sim, pois a contagem de comentários já está em 305.

E crescendo (sem duplo sentido, por favor).

Boa parte deles têm uma descrição física detalhada de cada candidato, sobretudo da largura e do comprimento do pau (se tem manchinhas de nascença, se aponta para esquerda ou direita; esse tipo de coisa importante para um ator).

Acontece que o meu blog, até o momento, estava equipado com um dispositivo que, quando você fazia um comentário, permitia se inscrever para receber por email todos os comentários posteriores ao seu.

Agora, analisemos a situação:

  • O sujeito não é capaz de ler sequer o primeiro parágrafo de um texto ou entendê-lo
  • Nesse mesmo texto – de que nem se leu ou se entendeu minimamente o primeiro parágrafo -, esse mesmo sujeito deixa um comentário com aparente despreocupação quanto à vida pública de sua piroca
  • Não é de se esperar que ele entenda exatamente o que está acontecendo quando novos comentários, posteriores e de natureza similar ao dele, começarem a chegar na sua caixa de entrada: tantos centímetros pra lá, virado pra cá, manchinha acolá

Detalhe: esses comentários chegam com o meu email a qualquer um que tenha usado o tal dispositivo, optando por receber os comentários (para os entendidos – sem duplo sentido, por favor – é o plugin Subscribe to Comments).

Assim, o sujeito recebe um comentário de uma pessoa totalmente anônima. Mas, sem de dar conta do que está acontecendo, pensa que é uma mensagem minha.

Você vai rir da minha ingenuidade, mas eu não havia me ligado dessa variável até hoje, quando recebi o email de um produtor (sabe lá se é mesmo). Ele respondeu que queria mais informações sobre mim e que havia grande possibilidade de eu ser contratado.

Afinal, eu tenho certeza de que ele nunca viu um candidato tão insistente e com tanta gama de tamanhos de pau disponíveis em um só corpo: todos na faixa que vai dos 19 aos 25 centímetros.

Sabe lá o que ele pensou. O fato é que eu recusei.

Vou esperar uma proposta de uma empresa internacional.

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