Para entender, é preciso que um dia você tenha ido sozinho a um bar. Para comer ou beber alguma coisa, por exemplo.

Por mais que você vá sozinho a um bar e saiba que isso significa comer ou beber alguma coisa sozinho e sozinho voltar, há sempre nesse gesto a possibilidade de encontrar alguém. Ainda que não se admita.

Um amigo velho ou novo, uma mulher por quem se possa apaixonar e a quem se possa fazer apaixonar. Ou apenas trocar aquelas palavras efêmeras que, eventualmente, mudam uma noite ou uma vida ou simplesmente o trajeto de volta para casa.

À medida que o bar lota e as outras mesas são tomadas, algumas pessoas vem até ele para lhe pedir uma das cadeiras que, evidentemente, não usa. Digamos que haja 4 cadeiras à mesa. Três estão livres, portanto.

- Eu poderia levar esta cadeira?

Sim, por que não?, responde o homem, por favor.

E um segundo vem e pede outra cadeira. O bar enche cada vez mais.

A terceira cadeira, no entanto, é delicada.

Se alguém lhe pedir, o homem não será capaz de negá-la. Os solitários costumam ser gentis.

Porém, note que há algo de peculiar em uma mesa de bar com uma única cadeira, um homem sentado nela. Não parece que o ambiente combina com isso. Uma mesa, uma cadeira, um homem – tal conjunto -, mais lembra um escritório. Faltariam apenas os papéis e talvez uma gaveta. Temos um prato ou uma garrafa e um copo sobre ela.

O contraste das outras mesas, cheias, é marcante.

A terceira cadeira, assim, é a fronteira entre a resignada solidão – permanente ou momentânea – e a possibilidade de um encontro inesperado. Um assento vazio é a diferença entre um cabo que se estende pelo oceano e uma ilha deserta.

Assim, nunca peça a única cadeira vaga de uma mesa onde um homem sozinho bebe ou come. É sua última companhia nessa noite. É para ela que ele olhará – depois de pagar a conta, enquanto deixa o lugar -, pensando em tudo que aquela noite seria e não foi.

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