Com a chegada do Page Maker e outros softwares de editoração gráfica, tornou-se prática comum nos jornais colocar um título, uma legenda ou uma assinatura provisória antes de se escrever a definitiva, que vai para as bancas.

Por exemplo, enquanto o editor não decide se a manchete vai ser “Brasil Perde a Copa” ou “Voltem de Varig Vagabundos”, o diagramador escreve algo enriquecedor e bem visível como “Asdfg Asdfg Asdfg”.

Bem visível e que dificilmente passaria em branco pela revisão posterior do editor.

Acontece que nem todos têm o juízo de usar deste expediente do asdfg.

Isso tem rendidos histórias interessantes.

Eu tive a oportunidade de testemunhar uma muito engraçada quando trabalhei no Jornal Indústria e Comércio, em Curitiba, no final da década de 90, no começo de minha vida de jornalista.

Na página 2 do jornal, uma das mais nobres, onde ficava o editorial, era comum haver a publicação de artigos de leitores que de alguma forma, economica ou ideológica, estivessem ligados ao jornal, fossem empresários, presidentes de sindicatos, industriais e coisas assim.

Nem sempre aquele que enviava o artigo tinha a sensatez de dizer no próprio corpo do texto, no final, que enviou por carta, por fax ou à cavalo, o seu cargo ou a posição na empresa ou na associação de que participava. Às vezes, sequer dizia de que associação era.

Assim, enquanto o editor da página não descobria isso, o diagramador escrevia no rodapé do texto “Fulano de tal é xyzxyz da empresa asdfg asdfg”. Isso quando não escrevia simplesmente as tais letras, para ficar mais evidente na hora da revisão final.

Numa manhã cheguei ao jornal e o telefone logo cedo tocava.

- Alô. Eu quero fazer parte da associação.

- Que associação, senhor? Aqui é o Jornal Indústria e Comércio – respondi educadamente.

- Eu sei. Mas eu quero fazer parte dessa associação do cara da página 2.

Imediatamente, pelo tom jocoso da voz do sujeito percebi que algo estava errado.

Abri o jornal na página 2 e lá estava, no rodapé.

Eu devo ter piscado algumas vezes, talvez tenha até esfregado os olhos com as mãos. Mas estava lá. Escrito com todas as letras. O artigo, sobre algum assunto econômico do estado, e, no rodapé:

“Fulano de tal” – não lembro o nome e nem se lembrasse escreveria aqui – “é presidente da Associação do Cacetão Enorme”.

Chamaram até a polícia para descobrir quem escreveu aquilo – um exagero da chefia obviamente -, mas jamais souberam quem foi. Jamais descobriram.

Mas o motivo não tenho dúvida de que foi falta de asdfg.

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