Cidinho Perene
Posição: Zagueiro

Cidinho Perene começou a fazer sua fama no futebol do Acre. O Acre ainda nem fazia parte do território nacional na época e as pessoas de lá acompanhavam a liga americana de beisebol. Cidinho Perene – ou Cidinho, o Perene, como era conhecido – não jogava muito bem, mas abriu a clareira no meio da densa floresta da ignorância futebolística. O primeiro campeonato surgiu com apenas três times, sendo que um deles, o Atlético Benfiquense do Acre, precisou ser completado com um Peixe-Boi, que jogou no gol. Dentro de uma banheira naturalmente. Corre a lenda que vem daí a gíria para os jogadores que costumam ficar em posição de impedimento. Cidinho Perene entrou para a história pela mesma porta pela qual entram os pioneiros e saiu pela mesma janela pela que saem os envergonhados.


Lorenzo Petabuena
Posição: Gandula

É o único gandula que merece entrar para os compêndios futebolísticos. Ficou famoso quando na suburbana de Quixeramobim invandiu o campo e fez o gol do título para o Arroela Futebol Clube. Mas ele não empurrou apenas discretamente a bola para dentro das redes. Ele dominou na entrada da área, matando no peito, fez três embaixadas, chapelou três defensores sem deixar que a bola caísse no chão e, depois de vencer o goleiro (com uma rasteira violenta, diga-se de passagem), mandou a pelota para a meta descaradamente com a mão. O árbitro, que tinha uma dívida de jogo com o dono do time – homem famoso por cultivar cenouras e adubá-las com juízes que não cantavam por sua partitura -, acabou validando. Dizem que havia uma estátua de Lorenzo Petabuena na sede do clube, mas ela sumiu depois da histórica revolta da Grande Fome de Pipoca Doce.


Pedrinho Carpano
Posição: atacante.

Provavelmente é o único atacante da história do futebol que passou a carreira inteira sem fazer um único gol em jogos oficiais. Jogou em diversos clubes da terceira divisão e, para nenhum, estufou as redes. Nunca correu para o abraço. O problema é que nos treinos tinha desempenhos notáveis, fazendo muitos gols, alguns de beleza histórica. Dizem que antes de Pelé perder aquele gol contra o Uruguai na Copa de 70, ele fez um igualzinho no time reserva do Caxias de Jundiaí durante um racha, promovido pelo treinador para definir a equipe da partida do fim de semana.

Teófilo Amadeus Goetlib
Posição: reserva

Não tinha posição definida. Jogava em qualquer uma. A questão é que sua versatilidade foi sua praga. Sempre era uma boa opção para o técnico dos times de segunda divisão em que atuou. Assim, se em algum momento do jogo uma peça chave se contundisse ou se alguém se cansasse, Teófilo poderia entrar no lugar dela sem problema. Infelizmente, isso nunca aconteceu. Por coincidência, ele era o goleiro quando Pedrinho Carpano fez aquele gol que Pelé perdeu. Goleiro do time reserva, bem entendido. Teófilo também é inventor da pipoca doce, mas alguns historiadores contestam essa informação.

Cláudinho Laranjeirense
Posição: goleiro.

Xadrez não tinha um braço. Isso para ele era um problema. Não tanto pelas dificuldades ortopédicas que isso lhe impunha ao desempenhar a função. Mas porque nunca poderia fazer uma defesa de mão trocada. Não havia mão que trocar. Jogou em alguns times menos conhecidos de divisões inferiores, mas costumava ser expulso com freqüencia pois gostava de dar uma de joão-sem-braço.

Pedrinho Banheira
Posição: zagueiro

Com esse nome é de estranhar que ele seja zagueiro. Mas ele não ocupava as posições mais adiantadas como isso sugere. Acontece que, logo que foi contratado pelo Caxias de Jundiaí – sim, ele estava lá quando Pedrinho Carpano fez o gol que Pelé perdeu – ele pediu para fechar contrato exatamente isso: uma banheira. Dizia que com isso pretendia evitar situações embaraçosas quando o sabonete caía nos chuveiros dos vestiários. Ao contrário do que todos os cronistas que acompanharam de perto sua carreira afirmam, nunca viu um peixe-boi de perto.

Pelé
Posição: lateral

O nome desse lateral causou muita confusão em sua vida. Era a época dourada do rádio, muitas pessoas não conheciam o rosto do Pelé, o rei do futebol, que jogou no Santos. Ao encontrar o simpático lateral, queriam que ele jogasse tão bem quanto o outro, supondo tratar-se da mesma pessoa. Porém, seu futebol não era grande coisa. Foi parar no futebol do Acre, mais para se esconder do mundo que outra coisa. Foi ficando amargo, amargo e amargo. Não entendeu nada quando olhou um peixe-boi sob as traves e desistiu do futebol.

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