A família Júnior tem inúmeras particularidades dentre as quais a mais marcante é ser formada quase que exclusivamente por homens. As poucas mulheres da família Júnior surgiram de erros de escrivão ou do capricho de alguma mãe.Outro fato marcante é que nenhum integrante da família Júnior é de fato aparentado. Nascem aqui e ali, em diferentes núcleos. Reproduzem-se ao acaso, na mesma proporção em que existem homens com certa vaidade a respeito do próprio nome.

Não apresentam traços físicos particulares que os faça facilmente reconhecíveis na multidão.

Muitas vezes, é preciso ligar para a casa de um para só então descobrir que ele faz parte do clã. Se você der sorte, o telefone será atendido pela irmã. Ela, então, graciosamente vai entregar as nobres origens da pessoa com quem você quer falar ao chamar com toda gentileza aos gritos de:

- Júnioooooooooooor!

E, finalmente, você sabe com quem está lidando. Um dos membros da família Júnior.

A medida em que o menino recém-chegado à família Júnior cresce, essas reações telefônicas vâo mudando. Pois não é mais possível saber - afinal a voz do interlocutor não é mais de uma criança - se deseja-se falar com o mais novo ou com o mais velho da casa. Então, a mesma irmã perguntará:

- Quer falar com o pai ou o filho?

Todos eles, da família Júnior, carregam o nome do pai que, na maior parte das vezes, não faz parte da família Júnior. Digo na maior parte das vezes porque sempre é possível que exista um Júnior Júnior, uma espécie de pai de todos os juniores.

Ou um Júnior sênior, se preferir.

O que é estranho, porque para ser um júnior sênior seria necessário ser filho de um júnior e, seria de se esperar que para ser mais graduado, você nascesse mais velho. É um problema sério de lógica.

E não só. Ser um Júnior é ter também um certo problema de identidade. Na escola, o chamam pelo primeiro nome. Em casa, pelo sobrenome. De outra forma, pai e filho seriam chamados ao mesmo tempo.

O problema de identidade se prolonga até a maturidade. Sempre há o risco de a pessoa começar a ser chamada de Júnior até a idade adulta. Se isso não for corrigido a tempo, situações bizarras podem acontecer. Algo absurdo como você chegar a uma repartição pública e dizerem que só o Júnior pode atendê-lo. Então você vai até a sala do tal Júnior e depara um senhor de barbas brancas. É o senhor Júnior.

Conta a lenda que Adão, além de Caim, Abel e Set, tinha um filho chamado Adão Júnior. Foi o primeiro Júnior. Mas ninguém confirma essa história.

De fato, ninguém quer ser um Júnior aposentado. Pois é inevitável, para os não-juniores, imaginar um moleque de boné com um sorvete em uma mão e bolinhas de gude na outra.

Um membro da família Júnior sempre desconfia da falta de criatividade dos pais. Afinal, deveria haver alguns nomes a disposição no mercado de nomes na época em que nasceu além do nome do próprio pai.

Outra situação inevitável a respeito dos juniores é, assim que alguém começa a falar sobre um, surgir a inevitável pergunta:

- Que Júnior?

Afinal, são muitos.

Claro, há juniores cujo primeiro nome é realmente feio. E eles preferem ser chamados de Júnior mesmo. Mas aí a capacidade criativa dos pais é realmente questionada. Afinal, porque alguém chamado Jedeguêncio decidiria passar a sua maldição a outra pessoa no Universo? Fé de que esse nome finalmente entre na moda? Não sei.

A Família Júnior é, realmente, uma família única com características muito próprias.

Dizem que, no fim dos tempos, eles irão se unir para enfrentar seus principais rivais: a família Filho.

Mal sabem eles que estarão apenas fazendo o jogo da famigerada família Neto.

Mas quem faz mesmo as regras, e isso poucos sabem, é a seleta família Sobrinho. Essa sim é para poucos.

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