Crônicas e contos de Alessandro Martins
2 Oct 2007
A mulher, com ajuda do motorista, colocou a carga na parte de trás da van e subiu. Benzeu-se. Provável que o pouco do dinheiro que terá para a semana esteja ali, investido naquelas mercadorias incógnitas que vão dentro de caixas que, por sua vez, estão dentro de sacolas.
O motorista passa a lista que cada passageiro deve preencher com seu nome e número do documento de identidade. Analfabeta, ela estende-me a prancheta para que lhe faça o favor. Antônia, Maria Antônia é o seu nome. Mostro-lhe a escrita para ver o que acha, como se fizesse, para ela, diferença. Assentiu. A finalidade da lista é controlar o número de passageiros que cada uma das vans leva em cada viagem entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, através da Ponte da Amizade. Ainda assim, os carros prosseguem lotados. De passageiros e mercadorias.
Nisso, sobe uma outra passageira. Mais carga.
— Mas qualquer um vai notar que isso aà é cigarro. Vão parar a gente. Tem que colocar embaixo, senão vão parar a gente — diz Maria Antônia.
A outra parece indiferente. Então ela lembra ao motorista que ele poderá ser multado caso seja flagrado com a mercadoria ilegal, sem falar nos outros passageiros, inclusive ela, que podem ter seu carregamento, bem acima da cota de US$ 150, confiscado. Com um suspiro o paraguaio ajeita a carga. Uma fila de vans de pelo menos dois quilômetros se aglomera atrás de nós com choferes ansiosos por pegar seus passageiros, suas cargas.
A van parte. Maria Antônia benze-se novamente.
Eu e meus camaradas de viagem chegamos a pensar em correr o risco de uma travessia a pé, com mais chances de sermos parados pela fiscalização, quando soubemos de um protesto de motoqueiros que paralisou o trânsito. Que, no entanto, voltou a seu fluxo normal pouco depois de vermos alguns soldados se deslocarem até o lado brasileiro.
Uma a uma as vans a nossa frente são paradas e revistadas no posto. A nossa será a próxima. Maria Antônia e a outra passageira estão visivelmente tensas.
Como me meti nessa
Uma viagem de Curitiba para Ciudad del Este, no Paraguai, ida e volta, custa R$ 120. Ligo para o número que me informaram. Outra Maria. Ela simplesmente anota o meu nome, o número de meu documento, informa o horário e o local de partida. Não esquece de avisar que, na volta, será necessário o pagamento de R$ 10 para a caixinha da PolÃcia Rodoviária Estadual. As outras polÃcias, como a Federal e a Civil atualmente não estão no esquema, segundo ela.
Inclusive, na semana anterior, o retorno a Curitiba demorou dez horas a mais por conta disso. Os policiais apreenderam todo o carregamento de cigarros que estava no ônibus. Houve gente que perdeu mais de R$ 20 mil. Brinquedos, perfumes, eletrônicos e demais produtos passaram, no entanto.
Não preciso levar sacolas. Como Maria me informa, lá elas custam US$ 0,80. Explico-lhe que essa é minha primeira viagem e devo comprar poucas coisas. Quero apenas conhecer o sistema para saber se vale a pena.
Terça-feira, às 20h45, estou em frente ao portão da Santa Casa de Misericórdia, na Praça Rui Barbosa, com um travesseiro dentro de uma mochila e a roupa do corpo. Alguns ônibus começam a estacionar. Ocupam as duas quadras, até a Desembargador Westphalen.
Meu ônibus chega. Subo e ele dá duas voltas na quadra até ir definitivamente rumo à BR 277, caminho para Foz do Iguaçu. Mesmo depois de parar em Santa Felicidade para pegar mais alguns passageiros fica com metade dos assentos vazios. Pelas histórias que contam alguns dos veteranos que trocam impressões sobre os acontecimentos da semana anterior, aparentemente parte dos passageiros habituais decidiu dar um tempo.
É um ônibus leito. Embora a porta do banheiro feche com alguma dificuldade, trata-se de um transporte relativamente confortável, adequado para viagens longas. Tento me ajeitar e inclino bastante o banco. Maria, preocupada, diz para eu pegar um dos cobertores ali disponÃveis. Durante a madrugada faz frio. O cobertor tem um leve cheiro de chulé e decido usá-lo somente quando viesse a precisar realmente. A conversa entre um pai e um filho árabes em sua lÃngua, para mim incompreensÃvel, me embala e pego no sono.
Dois garotos magros dão as dicas
A primeira coisa que vi quando abri os olhos foi um grande luminoso sobre denúncia da prostituição infantil, com um telefone para onde se pode ligar. Estávamos em Foz do Iguaçu.
Maria, que estava sentada no banco da frente, virou-se para mim e disse que chegáramos. São seis da manhã. Descemos eu, ela, o responsável pelo ônibus — o agente de viagem por assim dizer — e mais dois garotos magros, dois primos. E o pai e filho árabes que chegavam para passar a semana com alguns parentes e que, portanto, não nos acompanham.
O ônibus parte e leva os outros passageiros, também sacoleiros para outro destino, que desconheço. Nós ficamos próximos à ponte. Atravessamos a avenida e, logo, somos abordados por diversos sujeitos que nos oferecem os serviços de van. Por critérios que desconheço, o dono do ônibus que, nesse momento nos guia, dispensa a primeira van, a segunda e a terceira, que partem consecutivamente. E, em seguida, muda de idéia e faz sinal para que a terceira nos espere. Para mim, recém-acordado, em um lugar desconhecido, com pessoas a falar com sotaques, lÃnguas e dialetos diferentes, é impossÃvel me livrar da sensação de estar entrando numa fria.
Atravessamos a ponte. Maria diz que os dois piazões serão meus guias em Ciudad del Este.
— Ensinem o Alessandro como eu ensinei vocês.
Sabe lá se eles teriam paciência com um neófito como eu. Calados durante a viagem inteira, eu não sabia que impressão poderia ter deles a não ser a de que eram muito altos e magros. Expliquei-lhes as coisas que pretendia comprar, mas se pudesse acompanhá-los durante suas compras, para aprender, por mim, tudo bem.
Para puxar papo, comento que durante a madrugada vi o comboio de ônibus pela janela. Imaginei que fossem uns dez ou doze. Rafa disse que eu estava errado. Desta vez foram apenas uns cem ônibus, mas nos melhores dias chegam a duzentos. Os comboios servem não só para evitar os assaltos, mas para intimidar a fiscalização. Rafa me conta uma lenda de uns paulistas que, em grupo, saÃram no braço com a PolÃcia Federal e conseguiram passar pela fiscalização no meio da estrada.
Duas escopetas na R$ 1,99
A primeira parada é uma loja de bugigangas, muito parecida com as lojas de R$ 1,99 aqui do Brasil. A miscelânea de mercadorias com preços em dólar não é o que mais chama a atenção. De fato, o que gritava eram os dois guardas armados com escopetas na porta do lugar. E isso não era um privilégio daquela loja, naquela quarta-feira paraguaia que mal havia amanhecido, com ruas cheias, fedorentas e um trânsito maluco. Estamos em um lugar diferente, em que é possÃvel encontrar a autêntica meia oficial do San Pablo, o tricolor paulista.
Rafa
Rafa tem 21 anos e coleciona notas de um dólar de diferentes anos. Ele me mostra a nota de 1935 que descolou há pouco. Tem mulher e um filho de um ano de idade. Concluiu o segundo grau e parou de estudar. Diz que pretende fazer uma faculdade no ano que vem se tudo der certo. Educação FÃsica provavelmente. Atualmente está difÃcil porque viaja uma vez por semana para o Paraguai. Parece sincero ao dizer que sempre sente saudades dos dois. Mostra-me a fotografia de seu pequeno sentado em um triciclo. Parece que eu já vi essa cena em um filme.
O primo do Rafa
O outro guri que me acompanha é o primo de Rafa. Mais jovem, mais alto, mais magro e mais calado se é que isso é possÃvel. Sua figura começa tomar forma para mim em nossa segunda parada, a loja de Muhamed, em que lunetas, aparelhos de DVD, CD-Players, máquinas fotográficas e coisas que desconheço a utilidade se empilham em poucas prateleiras até o teto.
Por entre os labirintos de galerias em que lojas de eletrônicos se misturam com balcões de perfumes e de bebidas, Muhamed é uma espécie de orientador dos dois rapazes. Ensina, porém, na prática, e eventualmente passa a perna nos dois. O primo de Rafa passou ali para devolver uns CDs que não funcionaram no seu Play Station 2. Riscados, furados, obviamente piratas.
Muhamed o chama de neném, diz para ele falar em vez de resmungar. O menino é tÃmido. Quando fala, sussura apenas, como se Rafa fosse seu porta-voz. No comércio, porém, é preciso saber se impor, como quer demonstrar o árabe. O primo de Rafa se recusa a falar alto, Muhamed se recusa a trocar os CDs.
Rafa aproveita para oferecer a Muhamed um celular último tipo que um amigo seu encontrou jogado no Ceasa, em Curitiba. Decido acreditar nessa história. O comerciante faz uma oferta ridÃcula. Seguimos em frente. Rafa conta que confia muito em Muhammed que, certa vez, o livrou de comprar um disk-man recondicionado que não duraria dois meses por US$ 95.
Farmácia
Tenho a impressão de que todas as galerias e lojas são iguais. Certamente eu já estaria perdido se não estivesse com os dois. Paramos em uma perfumaria. Num dos balcões diversos remédios similares a Viagra, Levitra e Cialis. Mas com preço muito abaixo do que é cobrado no Brasil. Rafa paga, em média, o equivalente a R$ 1 por comprimido, cobra R$ 5 de seus clientes, que normalmente pagariam R$ 20 por dose nas farmácias brasileiras.
Ele aproveita para comprar esteróides anabolizantes.
— Olha, esse aqui é pra cavalo. Mas tem gente que usa.
Os clientes são pessoas jovens. Um deles toma o anabolizante e aproveita também para comprar os remédios para disfunção erétil, para compensar os efeitos colaterais.
Rafa mostra para mim um vidro vazio de perfume. Pede para que eu sinta o aroma e compare com uma amostra oferecida pela balconista. As duas são bem diferentes. O frasco é doce e a amostra é cÃtrica. Trata-se do pedido de um cliente importante, como ele me conta. O tal perfume já saiu de linha e uma das nossas ocupações nessa manhã será cheirar amostras e comparar incansavelmente com o olor do vidro.
No mais, a primeira parte de nossa manhã é uma louca busca por acessórios automotivos.
Minhas encomendas
Como a qualquer pessoa que vá para Foz do Iguaçu com a finalidade de fazer compras, os colegas de trabalho fizeram-me encomendas. Minha lista, pequena, compõe-se de uma câmara digital, 100 CDs virgens, um Johnnye Walker Black Label e um Red Label. Uma lista pequeno, mas da mesma forma “trabalhosa”.
Na primeira parte da manhã, saio em busca do que me parece mais difÃcil. A câmara digital em questão não é simplesmente uma câmara qualquer. Precisa ser de determinada marca. Ela não é encontrada nas lojas de ótica ou de maquinas fotográficas, mas nas de informática. Todos aos que perguntamos sugerem o Shopping Lai Lai, especializado nesses artigos. Não é exatamente um shopping, mas como as outras galerias, um aglomerado de pequenas lojas.
Na primeira loja que encontramos querem vender a máquina por US$ 113. Continuo a pesquisa na loja de defronte. Falo que me ofereceram por US$ 112. O atendente concorda em fazer US$ 111. Concluo que seria melhor eu ter pedido US$ 110, confiante em meus dotes de comerciante. Pesquisamos no andar de cima. Desta vez, capricho. Peço US$ 107. Acho que exagerei. O sujeito bate o pé nos seus US$ 112. Desisto rapidamente da vida de comerciante, volto à primeira loja e me contento com o preço de US$ 112.
Celular
Rafa também está às voltas com números na tentativa de vender o seu celular de última geração. Na primeira tentativa oferecem R$ 70 por ele. Em todos os outros lugares por que passamos oferecem R$ 60. Ou, com um custo de U$ 15, oferecem um serviço em que apagam todos os dados do aparelho de maneira que fica mais fácil vendê-lo por um preço vantajoso no Brasil mesmo. Rafa prefere voltar para a primeira loja.
— Vamos pagar R$ 65.
— Mas não era R$ 70?
— Era. Aquela hora.
Segunda van
Pegamos a van para fazer a primeira viagem de volta uma vez que já estamos com as cotas de US$ 150 cada praticamente estouradas. É nela que encontramos Maria Antônia, a se benzer.
Finalmente, passamos pela fiscalização.
Todos nos benzemos.
A ponte é o horizonte
Como o trânsito na ponte está muito bagunçado por conta do protesto dos motoqueiros, decidimos atravesssar os mil metros da Ponte da Amizade a pé. Engraçado como nas fronteiras, mesmo naquelas entre paÃses com relações diplomáticas estreitas, o clima é tenso. Como se qualquer cidadão estivesse com vontade de enganar, insultar ou, mesmo, matar.
Rafa me avisa para andar com as mãos nos bolsos para proteger os pertences. No meio da ponte são comuns as abordagens mais ousadas. Certa vez, um sujeito não se intimidou com o taco de beisebol de alumÃnio que ele e seu primo portavam — uma encomenda — e se arriscou a colocar a mão nos bolsos de um deles.
— Torci para que ele tentasse de volta.
Os dois, juntos, costumam levar em cada viagem semanal cerca de R$ 1.500. O lucro, nas boas épocas, pode chegar a 80%.
Armas
Passamos primeiro em uma loja de cigarros. Rafa compra poucos pacotes. Nada que possa vir a dar problemas. Em nenhum momento ele deixa de perguntar sobre notas de um dólar antigas. Aproveito para passar em uma loja de bebidas ali perto e comprar os uÃsques.
Agora vamos para uma loja de armas. Revólveres, pistolas, escopetas e rifles a preços que vão dos US$ 300 aos US$ 2.000. Rafa compra munição para calibre 38. Esconde junto com os cigarros, sem a embalagem.
Damos uma olhada na loja Monalisa, a mais famosa de Ciudad Del Este. Somos atendidos por uma das vendedoras. Todas elas usam mini-saias justÃssimas, com meias-calças pretas. Todas são lindas. Perguntamos sobre o preço dos tacos de beisebol de alumÃnio. Ela segura o artefato e diz o preço: US$ 15. Alguns de nós torceram para que ela nos acertasse na cabeça com o taco.
Quase 13 horas, voltamos ao Muhamed. Novamente ele se recusa a trocar os CDs e o primo de Rafa se recusa a soltar a voz. Com muita dificuldade e muito choro, ele troca um dos CDs.
A terceira van
Dessa vez a van vai ainda mais lotada. Pacotes e caixas caem sobre minha cabeça. Consigo trocar algumas palavras com uma das passageiras. Ana, no começo, ficou receosa de falar comigo pois, pelo formato de meu nariz, julgou que eu fosse árabe.
— Não gosto dos árabes.
Ela me conta que é “laranja”. Isto é, a pessoa responsável pela travessia de produtos para um “patrão”, o verdadeiro dono das mercadorias. O laranja também é chamado de “auxiliar de fronteira”.
A viagem de volta
Nós três terminamos nossas compras por volta das 14 horas, mas até sairmos da cidade esperamos até as 16 horas. Enquanto isso conversamos um pouco enquanto os dois comem esfirras e o dono do ônibus fuma em seu narguilé.
Não é preciso muito tempo de viagem para captarmos no ar que o banheiro, com defeito, será um problema. Pior. A viagem, a fim de desviar a fiscalização, terá a duração de 14 horas. O ônibus passa por cidades como Realeza, Ampére e Manfrinópolis. Em Marmeleiro paramos para jantar e respirar ar puro.
Depois de comer, algumas pessoas conversam enquanto olham para um grupo de vacas brancas que, iluminadas apenas pelos faróis dos carros que passam, parecem de gesso. Um dos nossos companheiros de viagem conta de suas proezas como peão e sobre como laçar um bicho daqueles. É triste ver que alguém que, aparentemente, gostava de fazer aquilo que fazia tenha que se dedicar agora à essa atividade cansativa e tão pouco recompensadora. Cada um dos passageiros daquele ônibus tem um pouco disso. Um era motorista, outra tem um marido que bebe sem parar e não ajuda em casa, outro reclama do fim de sua vida social. Os únicos que parecem ter alguma esperança de sair dessa vida são Rafa e seu primo. São jovens.
Mais digno, mas isso não muda o teor da atividade.
Ana diz gostar de seu trabalho. Conhece muitas pessoas toda hora. Mas nos dias quentes as vans lotadas são um inferno.
Cigarros
Durante o jantar Rafa me aponta um sujeito. Ele usa camisa pólo surrada, um jeans bem comum e um boné promocional. É um dos bambambans do contrabando de cigarro em Curitiba. O porta-malas do ônibus está lotado com suas mercadorias.
Antes da noite, Maria cobra-me os R$ 10 da caixinha da polÃcia. Não sei se o destino do dinheiro é esse, mas, enfim, pago. Adormeço.
De madrugada, pouco antes de chegarmos à Lapa o ônibus apaga as luzes e adentra em um recuo para além do acostamento. Ali, uma Kombi, também com os faróis apagados, espera. Toda a mercadoria no porta-malas é transferida. Voltamos para a estrada e, dela, vamos direto para casa.
A escolha
Alguns passageiros são deixados na porta de casa, sobretudo aqueles que levam um maior número de encomendas. Eu sou deixado a algumas quadras. Todos os meus produtos cabem em uma mochila. Levo meu travesseiro nos braços. Decidido a nunca mais fazer essa viagem, dou-me por feliz por ter essa escolha.
Rafa e seu primo, na semana que vem, estarão novamente em Ciudad Del Este. Há um ano fazem o trajeto.
4 comentários para "Sacoleiro por um dia"
Alessandro,
primeiramente, belo “post”. Achei muito interessante sua abordagem e experiência nesta visita a Ciudad del Este. Tenho vontade de fazer um documentário sobre a travessia. Teria condições de voltar lá?
Abraços, Rafael.
InteressantÃssimo. Tenho muita vontade de realizar o seu feito, mas o q dificulta ainda mais é q estou em SP.
Muito instigante seu relato. Pesquiso o fluxo de SP até Ciudad del Este e gostei muito do que você escreveu.
Uma pesquisa não é feita apenas de números e gráficos. Pretendo um dia fazer essa travessia que alimenta o comécio informal em SP e outros tantos lugares, assim como milhares de pessoas também. De qualquer modo, valeu a leitura!!!
Parabens, continuem assim.
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