Ali estava eu, pouco antes de sair para a escola, com a mochila, meu uniforme, cadernos, tarefas feitas. Segurei meu pinto duro entre os dedos. Desta vez fechei os olhos e tentei imaginar outra coisa. A cabeça se emaranhava em muitas imagens que desfilavam e engoliam umas às outras e a concentração necessária poderia ser perdida a qualquer momento. A falta de foco não alteraria o tesão. O tesão dependia apenas dos movimentos da mão, para cima e para baixo. Mas eu não queria desperdiçar meu gozo com uma história desconexa. Eu queria o início, o meio, o fim. Não importava a ordem.

Inspiração
Conheci um sujeito que costumava tocar punhetas inspirado pela Margarida. Sim. A namorada do Pato Donald. Não bastasse ele ter a irrealizável fantasia da conjunção carnal com um desenho animado, por cima disso tudo, como a cereja sobre o sorvete, ele era zoófilo.

Desenhos animados e cartuns sexys não faltam por aí, na verdade, de Betty Boop a Jessica Rabbit, de Bionda a Valentina. E até mesmo, perdão pela rima, Tina, do Maurício de Souza. Claro, conheci um sujeito que se inspirava na Tina. A do Maurício de Souza, como acabei de dizer. � compreensível. Pois ela melhorou muito a partir dos anos 80. Antes disso não passava de uma riponga que provavelmente nem raspava as axilas.

Xampu
O mais estranho objeto a me provocar tesão, tirando alguns filmes de David Cronemberg, até hoje, foi uma cor. Não exatamente. Talvez uma cor, unida a uma determinada consistência.

As empresas de cosméticos mais rastaqueras tinham acabado de lançar um tipo de xampu com uma aparência perolada e que, supostamente, lavaria melhor os cabelos. Todo esse jogo capitalista de espionagem empresarial e química cosmética industrial era pano de fundo para um adolescente que acabara de descobrir a masturbação e fôra passar a semana na casa de praia de um amigo de seu pai.

Esse adolescente â?? sim, sou eu â?? vai tomar banho. Como não levara xampu decide usar um dos que está ali mesmo no banheiro (e, sim, um dia eu usei cabelo e, portanto, usava xampu). Por acaso, com a fragrância e as propriedades benéficas da cenoura e do beta-caroteno. Quando ele colocou o produto nas mãos e observou aquela cor alaranjada, com algumas vilosidades marmóreas, peroladas (como anunciado na tevê), que se depositava molemente do tubo diretamente para sua palma. teve uma súbita e inesperada ereção. Inesperada porque aquilo não era uma bunda, aquilo não era um peito, aquilo não era uma xoxota. Aquilo era um xampu. Súbita, pois foi súbita mesmo, como uma mola. E, sem pensar em nada, apenas na sensação, o garoto fez com o que, desta vez, o produto para cabelos fosse usado para uma finalidade com a qual todo esse jogo capitalista de espionagem empresarial e química cosmética industrial não contava.

Desde aquela época, lembro de procurar tantas quantas substâncias viscosas e escorregadias para utilizar no meu dia a dia, fossem hidratantes, óleo Johnson ou sabonete mesmo.

Filme
Se meus pensamentos fossem filmados nessas horas, o resultado seria um média-metragem totalmente desconexo.

Nosso herói - ou seja, eu - está preso a uma cama prestes a ser atacado por duas mulheres, uma loira e uma morena. Não, uma ruiva. Ele acaba de acordar, pois a bebida fora drogada. Não, tira essa ruiva e volta a morena. A bebida não estava drogada, ele se deixou levar a estar ali de livre e espontânea vontade. As duas… melhor, as três, a loira, a ruiva e a morena sacam uma faca. Quer dizer, apenas uma delas saca uma faca. Ou as três? Enfim, uma delas, provavelmente a ruiva, saca uma faca e com ela tira minhas roupas. Não, não. Muito violento. Com a faca entre os dentes, a morena desabotoa a camisa e tira a calça. Mas amarrado, como isso é possível? Volta a faca. Tem que rasgar a roupa mesmo. Deixa a loura fazer isso. Que safada. Melhor. Pula essa parte. De alguma maneira, não importa qual, estou nu e preso à cama. Elas me cavalgam alternadamente. Caramba, o que a Mulher-Gato faz em cima de mim? Onde ela entrou nessa história? Acho que a bebida estava drogada. Agora ela atarrachou uma máquina no meu pinto e diz que vai sugar através dela toda minha energia. A ruiva aperta o botão que faz o aparelho funcionar enquanto a loira e a morena ficam me acariciando. A mulher gato troca carinhos com a morena, digo, com a ruiva. Ã? inútil resistir, diz uma delas. Ou todas, entre gemidos.

Nisso, entra uma oriental. Uma gueixa. Não, uma japonesa vestida de samurai, mas em trajes de banho e, antes que nosso herói - sim, eu - possa decidir em que trajes ela está, ele goza. De espirrar no teto.

No trabalho
Certa vez, senti uma urgência tão grande, tão grande que tive que ir ao banheiro. E dane-se. Sou fã de pequenos atos criminosos.

Voltando ao garoto prestes a ir à escola
Eu estava ali, encolhido no canto entre a parede e a estante onde guardava meus livros e jogos. Sobre uma das prateleiras, o copo ainda com um resto de achocolatado. Ouvi os passos da empregada se aproximarem. O barulho rítmico dos saltos no assoalho de madeira, corroído por pequenos labirintos feitos pelos cupins, o suspense da figura que eu sabia que me flagraria a seguir, o som de minha respiração, sobre a qual eu já perdera o controle, a parede a pressionar minhas costas, a visão do que pulsava no meio das minhas pernas como se quisesse saltar dali e rolar no chão como um pequeno bicho, o próprio ato ilícito que eu cometia, deflagraram-me, como um gatilho.

Claro que a empregada não apareceu, embora esse fosse meu desejo. Mas poderia ter aparecido.

Como seria se fosse
De pé e surpresa, a mulher observava a mim, um adolescente agachado em um beco da casa. Ainda zonzo, sem saber o que fazer, mostro-lhe a palma coberta pelo visgo branco. Então ela se curva e, com a língua estendida como uma oração, seus lábios se abrem em direção ao que, se eu não soubesse do que se tratava, diria ser uma fina guloseima.

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