Todo homem é basicamente uma puta.

Sei que dizer isso é mais ofensivo às putas - uma digna profissão não fosse pela exploração que elas sofrem - que aos homens. Além de tudo é uma generalização.

As generalizações, dizem, costumam conduzir todas ao eventual erro. Porém são muito úteis para duas das principais ciências humanas. A comédia e a maledicência.

Penso o que seria dos humoristas se, de repente, as pessoas deixassem de acreditar em certos tipos de características universais, personagens de tantas piadas, e o que seria das fofoqueiras e linguarudos que, sem a generalização, perderiam todos a sua função social.

Por isso, aviso antes, por conta da gravidade da afirmação: generalizo.

Todo homem é uma puta.

Digo tal coisa, não por comédia ou maledicência, mas por simples observação do comportamento do sexo frágil, ou seja, o masculino. Frágil porque a toda hora os homens acreditam que coisas simples como um beijo no rosto dado pelo próprio pai ou o dedo da namorada no seu cu podem fazer ruir as débeis paredes de sua masculinidade.

Mas volto à devassar a condição masculina. Se tomássemos um homem e, por um dia, o colocássemos no corpo de uma mulher, com todas as sensações femininas, e mantivéssemos sua mentalidade e desejo, teríamos um personagem que faria inveja a qualquer messalina. Mesmo em um período de apenas vinte e quatro horas. Na complexa cabeça dele a coisa funcionaria assim: ??Ora! Então agora só preciso abrir as pernas…? Afinal, homens menos imaginativos e toscos em busca unicamente de pernas abertas é que não faltam.

Há uma tendência de argumentos baseados na observação da natureza terminarem parecendo preconceituosos, mas este até faz sentido. Há um equilíbrio na forma como os desejos se manifestam em homens e mulheres. As mulheres são mais seletivas e as razões que conduzem seu desejo costumam ser mais sutis. Os homens, no entanto, têm uma tendência a querer colocar seus paus em qualquer coisa que vagamente pareça com um buraco.

Imagine duas situações diferentes. Se todos os homens fossem criteriosos como as mulheres provavelmente a espécie entraria em extinção por conta do reduzidíssimo número de trepadas. Mas se as mulheres se manifestassem sexualmente como os homens certamente a humanidade não faria progresso algum, pois estaríamos todos trepando e eu mesmo não estaria escrevendo esse texto agora. Bem. Talvez fosse melhor, mas isso é só para demonstrar que há um sentido natural e inteligente nessa coisa toda.

Não que não existam mulheres e homens cujos desejos se dêem de forma diferente: homens sutis e mulheres escancaradas. Mas isso é uma outra história e a exceção que confirma a regra.

Quando um homem procura uma puta, na rua, na internet ou em algum catálogo de hotel, na verdade ele busca alguém que preencha suas expectativas sexuais idealizadas de homem. Embora isso suprima a etapa fundamental da sedução, o que ele busca nela é se realizar não como homem, mas como a puta que ele mesmo nem imagina que é.

? importante dizer de novo, caso não esteja claro, que quando dizemos puta em relação ao homem, não falamos da profissão ou da quantidade de parceiros que ele tem, mas da maneira como esse homem enxerga o sexo.

Nos filmes pornôs, o que se vê são mulheres fazendo sexo como se fossem homens, ou melhor, preenchendo uma expectativa masculina de como eles gostariam que fosse o sexo ou de como eles fariam sexo se fossem mulheres. Não digo que isso seja bom ou ruim. Apenas é. Mas talvez falte no mercado filmes pornográficos que preencham as expectativas femininas, com homens fazendo sexo como elas fariam se fossem homens ou como elas esperariam que os homens o fizessem. Afinal, todo mundo tem o direito de ser cinematograficamente feliz.

Mas a evidência mais forte de que alguns homens apreciam a natureza feminina aliada ao desejo masculino são aqueles que têm nos travestis seu principal fetiche. Tratam-se, sob certo ponto de vista, de mulheres, mas com a óbvia e pendular sanha da devassidão masculina. E talvez para esses homens isso nem esteja evidente. Ao que isso conduz e o que acontece depois mereceria um outro texto.

Tive um amigo cuja namorada costumava chamá-lo de “minha puta”. A coisa passava por brincadeira na frente dos outros e, de fato, nem sei se era. Mas talvez ela tivesse instintivamente descoberto a natureza sexual dele. Não duvido que o tratamento permanecesse na hora de trepar.

Pelo que sei estão juntos até hoje.

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