Crônicas e contos de Alessandro Martins
18 Apr 2007
Provável que não exista palavra mais feia que punheta. Talvez só perca para siririca, quando o ato se refere à s mulheres.Não consigo lembrar, pelo menos neste momento, de nenhum outro termo para designar a coisa, a não ser naqueles que soariam pedantes ou afetados demais, como auto-indulgência ou auto-carÃcias. Bem. Queiram desculpar a falta de imaginação.
Ao modo popular existem várias maneiras de se referir, algumas até bem criativas e poéticas como Rua da Palma nº5 ou Maria-Cinco-Dedos, outras nem tanto, como descabelar o palhaço ou socar a gabiroba, e diversas outras. Mas nenhuma se aplica, por exemplo, a um momento de intimidade com outra pessoa.
Se você quer ver a outra pessoa se tocando, por puro deleite visual, precisa pedir algo como:
- Se toque… - o que, vamos convir, não soa tão bem.
O melhor é demonstrar com gestos ou com o olhar ou mesmo conduzindo com a mão o desejo alheio, como quem ensina a escrever.
No que se refere à masturbação - lamento, precisei usar essa palavra horrorosa, que está para o que ela descreve como a palavra cópula está para uma boa trepada -, nossa linguagem fica abaixo dos tatibitates dos bebês. Não temos recursos suficientemente maduros, inteligentes e elegantes para designá-la.
Esses dias, eu estava com algum machucado e comentei com ela que havia esfolado o bichinho. Bem, ela gostou. Creio que esfolar o bichinho entra numa boa categoria de termos para o ato, mas não é aplicável a todas as situações.
Essa ausência de palavras talvez se dê porque desde sempre fomos levados a crer que não existe nada mais reprovável e egoÃsta que dar prazer a si mesmo. Essas coisas da cultura judaico-cristã. Mas como é de nossa natureza dar prazer a nós mesmos e isso seja inevitável, as palavras precisaram passar a existir. Afinal, não existe ato sem expressão verbal.
Porém, como trata-se de algo considerado feio, que então seja descrito com palavras feias ou que pelo menos soem feias a nossos ouvidos. Talvez elas não sejam feias e apenas nossos ouvidos o sejam.
O fato é que a punheta, ou como preferir chamar, vai determinar boa parte daquilo que entenderemos por sexo no futuro. Ã? importante que meninos toquem muitas punhetas na sua adolescência e que meninas toquem muitas siriricas. Nunca é demais repetir que essas são palavras horrÃveis de verdade. Feias pra cacete.
Lembro que quando eu descobri a coisa fiquei tão empolgado que tive vontade de contar para todo mundo. Tive a impressão de que realizara um feito tão importante quanto a invenção da lâmpada elétrica. Talvez pudesse ganhar algum dinheiro dando um curso ou coisa assim.
Tudo bem. Não levou muito tempo e caà em mim ao perceber que eu devia ter sido o último garoto da minha sala a descobrir aquilo.
Se você perguntar para qualquer sexólogo, ele vai dizer que a masturbação é um momento de auto-descoberta necessário ao desenvolvimento sexual do sujeito. � esse tipo de discurso que me faz ter a impressão de que os sexólogos prestam um grande serviço à humanidade e que trepam mal. Sei lá, me soa meio técnico e isento demais. Claro que é só uma impressão e, como toda impressão, deve estar errada, mas não consigo evitar.
As impressões a respeito do sexo são assim também. E muitas delas são determinadas exatamente pela punheta. Ora, uma conclusão a que se chega sozinho não tem muitas chances de ser ao menos razoável.
Por exemplo, muitos homens dizem considerar o cheiro de porra parecido com o de água sanitária. A maioria das mulheres não considera assim. Algumas delas vão inclusive dizer que o cheiro e o sabor são até mesmo agradáveis. Há quem diga que lembra abacate.
Acontece que, para as mulheres, a masturbação sempre apresentou certas facilidades. Elas podem fazê-lo na cama, na sala de jantar, estudando e em qualquer lugar. Até mesmo no ônibus, apertando as coxas como certa vez uma amiga demonstrou-me.
Os meninos não. E o lugar onde isso acontece, mais das vezes, é o banheiro, sentado na privada, com o papel higiênico bem à mão. Então, a associação da porra com o cheiro de água sanitária fica bem explicada.
� claro que nós homens também podemos nos masturbar na cama, mas sempre há o risco de se fazer bagunça. Há truques. Muitos costumam usar uma meia como o esconderijo e o depósito de toda a sua paixão, devidamente conduzida a seguir para o cesto de roupas sujas, prática da qual surge a pergunta:
- Mas de onde esse menino está sujando tanta meia?
De minha parte, eu tinha outro truque. No momento certo, colocava uma folha de caderno sobre a barriga e pronto. Serviço limpo, direto no lixo.
Esse negócio de meias nunca me convenceu. Afinal, era minha mãe quem as lavava. E, em se tratando de porra e mãe, sempre preferi as duas coisas bem distantes uma da outra.
3 comentários para "Punheta"
lembrei de quando era garoto e usava o termo ” colar taco ” pois haviam alguns tacos soltos em meu quarto e parecia ser um ótimo lugar para esconder a paixão que derramava pelas garotas que nunca conquistei.
Resposta: Oliver,
essa realmente entrou para os compêndios de lugares onde esconder as provas do crime!
Abraços,
do Alessandro!
gostaria que deichasse no meu email fotos de sexo..
obrigada ;D e algum cliente bom de cama
conheço tambem como facada na barriga!!!
acho que é uma parte importante do auto conhecimento sexual!!!
pra min foi como uma musculacão no penis também…
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