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Quando um sapato muda a história

Saiu de casa pisando forte, com raiva, era mais um desentendimento com a parceira. Brigas conjugais, vocês sabem, algo que acontece todo dia com tantos casais pelo mundo. Por outro lado, assim como tantos casais pelo mundo, Ezequiel achava que aquele era realmente o fim.

É difícil entender, ele não compreendia como as coisas tinham chegado àquele ponto. Tudo acontecia tão rápido e por mais que ele tentasse agir certo, as coisas sempre davam errado. Será que Ezequiel estava fadado aos enganos, aos equívocos? É claro que não, mas na sua cabecinha ele só conseguia pensar isso.

Aqui já cabe um parêntesis, entender os acontecimentos da vida não é algo simples de se fazer, agora magoado e de cabeça quente era realmente impossível. Ezequiel continuava revoltado, agora a culpa não só da Judite, na verdade estava tudo errado, desde o primeiro momento. Desde antes de conhecer a Judite, desde antes parar na repartição. Ai... a repartição...
— Espera! – cochichou no ouvido. — Não se mexa!!
— O que foi?
— Quieto, ela está aqui!!

A repartição, Ezequiel nunca se perdoou de ter um dia escolhido ir para lá. E pensar que no começo ele gostava do ambiente, gente séria e trabalhadora. Engano, puro engano. A rotina naquele lugar estava lhe matando aos poucos. Ele não conseguia mais suportar viver daquele jeito, tendo que rastejar na sala do patrão. Seu Otávio, nunca tinha visto pessoa mais unha de fome.

Dá pra perceber que o otimismo não é lá a tônica dos pensamentos de Ezequiel, desde já peço desculpas, mas ele estava passando por aqueles momentos de crise que todos passam um dia. Quando as coisas vão mal, qualquer motivo é suficiente para ficar se queixando. A essa altura dos acontecimentos ele nem se lembrava mais da briga com Judite, suas mágoas, seus arrependimentos já tinham regressado há muito tempo. Veja só...

É difícil de lembrar, mas teve um tempo em que Ezequiel parecia fadado ao sucesso. Não só ele como todos a sua volta imaginavam um futuro brilhante, repleto de glórias, fama e fortuna. Porém, essa mágoa ele esconde lá no fundo e mesmo que eu pedisse ele nunca revelaria. Mas uma coisa eu posso dizer, o seu sonho estava lá na pilha de revistas velhas da repartição.

— Não se mexa, mas ela está aqui...
— Ai, meu De...
— Quieta, não grite, vai espantá-la!
— Tá bom, mas o que você vai fazer?
— Espere só um pouquinho...

É na pilha de revistas velhas da repartição que está guardado o maior sonho de Ezequiel, seu maior tesouro. Todas as revistas têm como tema o futebol e trazem em suas páginas a figura de Ronaldinho Gaúcho, é ele seu maior ídolo, é ele tudo que Ezequiel sonhou para ele um dia. Futebolista desde muito jovem, Ezequiel sempre se destacou na sua infância pela habilidade no trato da bola. De todos os irmãos, era, sem dúvida, o mais talentoso. E olhe que eram muitos os irmãos!

Porém, quando ele ainda sonhava com o futebol e com as camisas dos times do coração, seleção brasileira, um dia seu tio Inácio despedaçou todos os sonhos dele. Depois de presenciar mais uma brilhante apresentação de Ezequiel, Inácio disse que ele nunca teria chance no esporte, era muito baixinho, muito curvado e muito cascudo. Nenhuma equipe de futebol jamais aceitaria um cara como ele. Em poucas frases, o tio Inácio tinha derrubado o castelo de areia de sonhos de Ezequiel.

— O que você vai fazer?
— Preste atenção... – disse tirando o sapato.

Ezequiel foi revivendo a história e se lembrou que naquele dia foi que conheceu Judite, foi o momento mais lindo que se lembra. Numa única troca de olhares eles disseram tanta coisa um para o outro. Algo mágico, sem explicação. Nossa, como ele gostava da Judite, pessoa como ela não existe na face da terra. Ele nunca se perdoaria perder a companhia dela, não valia a pena deixar coisas tão pequenas abalar um grande amor. Virar astro de futebol foi um sonho de criança e viver na repartição não era de todo mau. Não tendo a Judite ao seu lado. Ele precisava dizer isso a ela, e dizer agora. Rapidamente moveu as patinhas freneticamente, como que antevendo o perigo. Mas não adiantou, Aristides, o zelador, foi mais rápido e golpeou com o sapato nosso herói contra parede.

— Pegou ela?
— Finalmente consegui pegar a barata fujona!!
— Poxa... deixa só o seu Otávio ficar sabendo, vai ganhar até um aumento!
— Aumento? Só se for aumento de trabalho!!
— Ehe he heh he he...

12 de abril de 2007

Dizem que Gregor Samza também tentou uma vaga na seleção da Checoslováquia, mas sem sucesso.

Por: Alessandro Martins | fevereiro 5, 2006 08:23 AM

¨¨¨

pois é, estatura é um negócio que conta muito no futebol moderno.

Por: andré sala | fevereiro 5, 2006 03:49 PM

¨¨¨

Fala pro Ezequiel virar jogador de pebolim. hehehe

Por: Islane | fevereiro 9, 2006 03:49 PM

¨¨¨

Mas o Romário naum eh baixinho? Sabe eu sou MUITO baixinha, liga naum é tudo uma mistura de preconceito com inveja!

Por: iva | fevereiro 9, 2006 05:52 PM

¨¨¨

olhe... qualquer pessoa mais vivida sabe que as baixinhas são fogo! Baixa no tamanho, mas grande nas realizações (ou confusões).
um abraço!
andré

Por: andré sala | fevereiro 10, 2006 01:20 AM

¨¨¨

pebolim? sei não, só de imaginar que me vem um "creck" na cabeça...

Por: andré sala | fevereiro 10, 2006 01:21 AM

¨¨¨

Hum, vc tem uma fixação por baratas que merece ser estudada...

Por: Isabela | fevereiro 10, 2006 01:23 AM

¨¨¨
 
 




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