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História de circo

Eles se conheceram no circo, isso já faz um tempo. Ele fazia parte do “Grand Circo Veneza, a maior atração do velho continente”. A trupe existia há muitas décadas, criado pela tradicional família Gianini, que não vinha da Itália, mas sim de Uberlândia. Marlene era uma simples estudante do “Colégio Michigan, educação de primeiro mundo”, no município de Astorga. Eles se conheceram quando o circo veio passar uma temporada na cidade. Os cartazes falavam em apenas 5 dias, que por fim se estendeu por 2 meses. Num desses dias ela foi até lá para acompanhar os irmãos pequenos. Pelo menos foi esse o pretexto, pois quem queria ir era ela mesmo.

— Respeitável público! – exclamou um sujeito de fraque e cartola, pelo jeito o mestre de cerimônia.
Ele enumerou todas as atrações que poderiam ser vistas naquela noite. Fez isso usando sempre adjetivos lisonjeiros e engrandecedores, mais ou menos do jeito que o Faustão faz para apresentar as pessoas. A Marlene ficou muito impressionada.

— Samantha, a fantástica mulher elástica! Leon, o destemido atirador de facas! Francis, o surpreendente mágico de cobras! Os irmãos Rodriguez, os intrépidos do globo da morte!
Essas eram as maiores atrações do circo, é claro que haviam outras. Dentro do que podemos chamar de outras estava “Juan, o maior malabarista das três Américas!”. Obviamente ele não era tudo isso, mesmo assim conseguia muitos aplausos quando usava malabares em chamas. Seria ele que arrancaria suspiros de Marlene naquela noite.

Logo que Juan entrou no palco ela logo notou o homem. Além da pose imponente e do queixo protuberante, um bigodinho fino compunha o perfil do amante latino que Marlene sempre sonhara. Ela adorou o show de malabarismo, embora nem tivesse prestado muita atenção nos malabares. De tão impressionada que ficou, retornou dia após dia só para ver Juan, o maior malabarista das três Américas.

Depois de um tempo, ela não suportou ficar apenas admirando o artista, tinha que conhecê-lo de qualquer maneira. Sabendo de uma cunhada entendida dos castelhanos da vida, Marlene tomou umas lições e aprendeu mais ou menos um portunhol meia boca. Agora ela poderia finalmente conhecer o malabarista Juan.

Com as frasezinhas decoradas, Marlene o procurou em um dos traillers do circo que sabia ser o dele. Quando atenderam a porta, ela tratou de vomitar aquele portunhol bizarro.
— Me gustaria mujo conecer el malabarista Juan!

É claro que ele não entendeu patavina do que se passava, o espetáculo não havia começava e ele não era “Juan, o maior malabarista das três Américas”, e sim “João da Prata, o malabarista do triângulo mineiro”.

Ela ficou um tanto decepcionada de saber que Juan era João, mesmo assim aceitou entrar e tomar um cafezinho com ele. Papo vai, papo vem, papo vai, vem, devem ter conversado a tarde inteirinha, parecia que se conheciam há muito tempo. Sem falar que os dois tinham tanta coisa em comum, não dava pra negar. Os dois tinham nascido de cesariana, por exemplo. Isso sem falar que ambos foram mordidos por cachorro quando eram pequenos. Sei que essas coisas não têm nada de extraordinário, mas quando se está apaixonado parece algo traçado por Deus.

Um dia, João foi a procurar em casa, precisava falar com ela imediatamente. Naquela noite o circo sairia da cidade às pressas, dariam o calote não pagando o aluguel do terreno onde estavam. João foi lá para se despedir e quando deu por si Marlene já estava de malas prontas.

O circo saiu de Astorga e aterrissou em outra cidade. João agora tinha uma companhia no trailler e Juan ganhou uma ajudante de palco. Estavam muito bem até que o Grand Circo Veneza quebrou. A trupe agora estava desfeita. Todos os artistas tiveram que arranjar outros trabalhos para sobreviver, algumas vezes até tendo que largar os espetáculos. Juan, pelo menos, continuou a existir. Tudo bem que não era a casa de espetáculos que havia sonhado, de qualquer forma tinha a vantagem de ser ao ar livre. Era só o semáforo fechar que ele começava seu número. Marlene continuava sendo sua ajudante, passando a sacolinha entre os carros. Felizes? Claro que sim, menos quando chovia. Esse tempinho de Curitiba é um saco!

Só antes que me esqueça: Samantha está se desdobrando tentando empurrar revista no telemarketing. Leon atira facas no açougue Guanabara. Francis virou ator pornô. Os irmãos Rodrigues continuam intrépidos, dessa vez como motoboys.

12 de abril de 2007

eles podiam até desanimar, mas havia o amor!!!!
=)

Por: Marina | janeiro 4, 2006 12:55 PM

¨¨¨

pois é, mariana, esse texto é meio antigo e fazia um tempo que não o lia. Quando reli ontem, lembrei que tive essa idéia depois de ver um casal desses no sinaleiro. Foi bem essa a impressão que eles me deram. Tomara que um dia todos nós encontremos parceiras para dividirmos os sinaleiros da vida...

um abraço!

Por: andré sala | janeiro 4, 2006 02:08 PM

¨¨¨

Tem coisa mais mágica que conhecer o amor da sua vida num circo? :~

(acho que não)

Beijos.

Por: Islane | janeiro 4, 2006 11:10 PM

¨¨¨

pode ser, mas já imaginou conhecer o palhaço da sua vida num circo? Tem coisa mais hilária?

um abraço!

Por: andré sala | janeiro 5, 2006 01:19 AM

¨¨¨

Será que é mesmo verdade que o amor supera tudo??

Tá... eu acredito que sim... Afinal, ele é tão mágico... Só com mágica pra viver certas coisas (ainda bem que eles estavam num circo).

Por: gabi. | janeiro 12, 2006 02:26 PM

¨¨¨

mágico talvez não, creio eu... acho que ele é mais ilusionista. Igual aqueles shows que a gente sabe que não é verdade e mesmo assim adora!

um abraço!

Por: andré sala | janeiro 13, 2006 01:12 AM

¨¨¨
 
 




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