— Meias, meias... onde diabos devem estar as meias?
Garanto que vocês vão concordar comigo que uma das melhores coisas da vida é poder visitar os amigos. Tem amigos que a gente não encontra há muito tempo, outros que nem agüentam mais olhar pra nossa cara, pouco importa, visitar os amigos é sempre um bom programa. E é claro que dessa vez não iria ser diferente, se ao menos eu soubesse onde estão as porcarias das meias...
Fazer as malas é um troço complicado, não é a toa que mala é sinônimo de coisa chata. A gente tem um trabalho danado para organizar as coisas, em seguida tem que dobrar para caber direitinho e depois conferimos mais uma vez antes de fechar. Quando juramos que não falta nada, nos lembramos de um negócio chamado “escova de dentes”. O problema é que nessa altura já estamos com parte da refeição entre os dentes e só nos damos conta depois que recebemos as fotos da viagem.
— Cuecas, cuecas, não posso me esquecer das cuecas! – um lampejo de genialidade me desperta.
Cueca é uma coisa essencial, ainda mais em uma viagem longa como esta, pra Nova Zelândia. Vai saber se os zeo-nelandeses usam esse tipo de vestimenta? Entre arriscar e garantir, vamos botar logo 4, o que nem é tanto assim. Por outro lado, considerando que elas têm dois lados, isto é, o de dentro e o de fora, dá pra contar como se fossem 8.
Nova Zelândia, Nova Zelândia. De tantos lugares mais perto onde o Gustavo poderia ir, ele foi logo escolher a Nova Zelândia. Nunca vi coisa igual, isso que é gostar de ser diferente. Se ainda estivesse fugido, corrido da polícia, tendo o nome citado pelo Roberto Jefferson, eu até entenderia. Mas pelo que eu saiba ele tem a ficha limpa. Pelo menos até onde eu sei...
— André? O que você está fazendo aí? – uma amiga entra no quarto.
— Eu? Só estou fazendo as malas.
— Malas? Mas isso daí não devia ser o...
— Por favor, Loli, isso eu prefiro fazer sozinho – disse delicadamente apontando a porta de saída.
Fazer as malas já é um negócio demorado, mas se agora todo mundo entrar aqui pra ficar interrompendo, daí é que eu não acabo nunca! Ainda mais essa que não é qualquer mala, como aquelas que fazia quando ia pra praia na casa do Gustavo, essa mala é muito mais importante. Engraçado imaginar que ela só será aberta em território neo-nelandês...
— André? Você por aqui?
— Sim, sou eu.
— Não quero bancar o chato... mas o que você está fazendo aqui? – o Gustavo perguntou intrigado.
— Eu só estou aqui fazendo as malas.
— Fazendo as malas, no meu quarto?
— Sim, justamente. Estou no seu quarto fazendo suas malas.
— Minhas malas?
— Sim, suas malas pra Nova Zelândia.
— Bem, mas ainda falta um tanto pra isso, eu só viajo dia 8 de setembro.
— Só dia 8? Poxa vida, será que não daria para você adiantar a viajar?
— Viajar antes por quê?
— É que já estava planejando te visitar no feriado de 7 de setembro.
— Me visitar, na Nova Zelândia?
— Mas é claro, estava até pensando em dar uma passada na rodoviária para comprar a passagem.
— Espere aí, não se esqueça de que a Nova Zelândia fica aqui do lado...
— Não tem problema, eu até curto viagens mais longas.
— André, você não está entendendo, a Nova Zelândia fica muuuito longe!
— Gustavo, eu estou te falando, não tem problema. Se a viagem for muito longa, eu tomo 2 Dramim e capoto dentro do Itapemirim sem problema.
— Não, André, eu acho que a Itapemirim não vai até lá, a Nova Zelândia fica na Oceania!
— Oceania?
— Sim, Oceania!
— “Oceania”, nunca ouvi falar nessa viação. Mas não se preocupe, se o ônibus tiver banheiro pra mim já está bom. Principalmente porque sabe Deus como é essa comida zeo-zelandesa...
12 de abril de 2007

