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A história da mulher que mata o marido

Em meio a um cochilo inofensivo, desperta aterrorizado com um estrondo e som de cacos de vidro. “Você não pode fazer isso comigo!”, é o grito desesperado que ecoa. Provavelmente mais um dos ataques histéricos da Miriam, que tinha acabado de destruir o vasinho de plantas contra a parede da sala. Ricardo procura se refazer do susto tentando entender que diabos foi dessa vez, “Qual será a próxima dessa louca?”. Quando conseguiu se achar, preferiu continuar no sofá. Esse tinha sido mais um daqueles dias estressantes na firma, mais uma vez ele acabou dormindo em frente a TV.

“Eu sempre me dediquei tanto pra cuidar de você e o que ganho em troca?”, ela continua. Ele nem dava mais ouvidos, não era a primeira vez que aquilo tudo se passava, se levantou aos poucos e começou a se trocar. Sem muita pressa, pegou um cabide do armário e pôs o terno com cuidado para não amassar, aquela também seria sua roupa no dia seguinte. “Olhe para mim! Olhe para mim pelo menos quando eu falo com você!”, exigiu com voz carregada.

A Miriam só podia ter bebido, ele pensou. Desde o início ele sacou que os surtos neuróticos são sempre motivados por cachaça, pelo menos com ela sempre foi das outras vezes. Mas aquilo já estava se tornando repetitivo demais, era só ele chegar em casa e tentar relaxar vendo TV que ela sempre aprontava uma ceninha. “Qual foi o motivo dessa vez?”.

“Eu vi. Eu vi tudo. Vi tudo com meus próprios olhos!”, disse vitoriosa apontando com os dedos na vista. Ele continuava indiferente, colocando o pijama sem demonstrar qualquer reação. “Você e ela, juntos andando de mãos dadas!”, Miriam voltou a acusar. “Como um casalzinho de namorados”, disse toda sarcástica. Com a roupa de trabalho no cabide, ele cruzou até a área de serviço sem dar ouvidos ao escândalo, estava ocupado com outros afazeres. “Não adianta fingir que nada aconteceu, eu estava lá!”.

“Droga!”, ele gritou da cozinha. “Esqueci de novo!”, disse se referindo ao café solúvel que não trouxe do mercado. Saiu da cozinha enervado e deu de cara com Miriam, que se estrebuchava de chorar com as mãos no rosto. “O que foi agora? Ainda essa história?”, falou sem paciência.

“Bem que mamãe me avisou, disse que você não era homem pra mim”, falou enxugando as lágrimas. “Eu não acredito que de novo essa história!”, disse Ricardo em resposta. “Pena que quando a gente é jovem nunca dá ouvidos aos conselhos dos pais”, ela falava num tom mais calmo. Ele olhava pro lado só pensando em acabar com aquela cena horrível. “Se ao menos soubesse onde eu fui guardar...”, pensou se arrependendo.

“Mas a gente não pode voltar no tempo, não é mesmo?”, Miriam disse se levantando despenteada. “Agora está na hora de tentar consertar o estrago de um casamento equivocado”. Ricardo só conseguia vasculhar em baixo das almofadas e tudo que estivesse por perto, ele tinha que dar um fim naquele bla-bla-bla. “E para consertar não adianta pedir desculpas ou apertar as mãos”, ela continuou. “O único jeito de acabar com esse mal-estar é assim”, ela disse tirando uma pistola automática da bolsa.

Aquilo já tinha passado dos limites, Ricardo não podia agüentar mais aquela situação. Ele nem pareceu notar que Miriam estava armada, continuava vasculhando freneticamente o sofá, as almofadas e tudo ao redor. Ele tinha que se defender de alguma forma.

“Primeiramente, só quero que pegue de volta isso aqui”, disse Miriam tirando a aliança de casamento. “Não me pertence mais”, falou jogando para o marido encurralado. O anel apareceu quicando lentamente sobre o chão de madeira, enquanto ela apontava a arma bem no rosto do marido. Nesse exato instante, Ricardo encontrou o que estava procurando, esquecido bem na fresta entre o sofá e a cômoda. Olhou para Miriam que estava empunhando a arma com as duas mãos e puxando o gatilho, fazendo mira. Ele, por sua vez, apontou o controle remoto com o mesmo cuidado.

Se me perguntar qual deles atirou primeiro não saberia te responder, os dois devem ter disparado no mesmo instante. No terceiro pulo do anel, Miriam esvaziou o cartucho da pistola no coitado do marido que morreu na hora. Ricardo, por sua vez, apertou rapidamente o botão ON/OFF do controle remoto e desligou a televisão antes do som do primeiro disparo de Miriam. Ele não agüentava mais aquela situação, era a oitava vez na semana que passava aquele filme com a história da mulher que mata o marido. É incrível como eles gostam de ficar reprisando o mesmo filme nessas TV a cabo. Ao todo devia ser a oitava vez que ela matava o marido, deviam proibir esses filmes.

12 de abril de 2007

ahahahahaahahahahha
Demais!

Por: shana | julho 10, 2005 05:46 PM

¨¨¨

Ei, legal isso, bom saber que consegui passar a mensagem!

um abraço
andré

Por: andré sala | julho 10, 2005 11:08 PM

¨¨¨

Adorei!!! hehehehe! Muito criativo!

Por: Teca | julho 13, 2005 12:10 PM

¨¨¨

Ei, legal, pelo jeito enganei mais uma... eh e he he...
Escrever sobre crimes nunca foi meu forte...

Por: andré sala | julho 13, 2005 08:05 PM

¨¨¨

Eu sempre falo pra minha mãe que tv influencia muito... a mulher naum é culpada!

Por: iva | julho 13, 2005 09:28 PM

¨¨¨

Realmente, TV é sempre um carnificina diária. Eu prefiro muito mais ver algo diferente do que ficar dependendo na programação televisiva. Normalmente, passo na locadora e pego um fita com algo mais instrutivo, às vezes do Jason outras do Freddy...

uma abraço
andré

Por: andré sala | julho 14, 2005 05:34 AM

¨¨¨

hahahaha show hahahahaha

Por: Camila | setembro 7, 2005 02:50 PM

¨¨¨
 
 




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