Abriu a porta do armário, havia muitas opções. O que naquele momento poderia satisfazer os desejos dela?
O dia era quente, sapato fechado não serviria. Teria que caminhar muito, então nada de saltos muito altos. Sandálias. Sandálias confortáveis que ajudariam a percorrer o caminho mais bonito que já pudera conhecer.
Parecia uma princesa, saia de chita, sandália rasteira e uma blusa de verão.
Agora tinha que esperar, enquanto isso se entretia com a dúvida de como deixaria seu cabelo. Resolveu deixá-los soltos, para que o perfume dos cabelos pudesse adentrar carinhosamente as narinas do seu amor logo que chegasse.
Sentou-se no sofá e como uma criança passou a imaginar como seria a vida ao lado daquele homem. Ela, tão menina, conseguia imaginar os dias mais românticos que qualquer ser humano poderia viver. Sonho, nada nos impede de sonhar.
Lembrou-se então que lhe faltava o perfume, como poderia esquecer? Foi até a cômoda da mãe e escolheu o mais doce, assim como ela gostaria de se mostrar...doce.
Voltou para o sofá, fechou os olhos e pode sentir que ele chegava, então não abriu mais os olhos, se abrisse ele sumiria.
Ouviu a porta, os passos que dela se aproximavam, o toque no seu rosto, o perfume do amor.
Não se conteve e tentou pegá-lo, mas parecia que ele se esquivava do seu toque.
Ela sabia que ainda não podia amar...era muito nova para isso, era assim que sua mãe dizia. 
Mas com os olhos fechados podia, e sentia o amor tocar sua alma.
De repente sentiu os lábios quentes tocarem sua testa, ouviu os passos se afastarem, a porta se fechou.
E ela abriu os olhos...e sorriu.
Ele foi embora, mas ele voltaria todos os dias, até quando ela fosse grande o suficiente para poder abrir os olhos e na sua presença amá-lo de verdade.
1 de janeiro de 2006


