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Notas sobre o tempo.
Por Daniela Lima.
Quando um dia é como todos, todos são como um só; e numa uniformidade perfeita, a mais longa vida seria sentida como brevíssima e decorreria num abrir e fechar de olhos.
Passo os dias a desenhar relógios pelo corpo; dessa forma, tenho a impressão de que posso controlar o tempo. Os ponteiros dos meus relógios de tinta não se movem e marcam sempre a mesma hora: eu deitada na cama sem sentir dor alguma. Ao parar de pensar, pude congelar o tempo e, por conseqüência, conter as minhas dores – barricadas de tinta nas pernas, braços e pés.
(Ele percebeu apenas os seios; ignorou a tristeza que discretamente rói as minhas entranhas)
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Somos eternos espectadores do nosso próprio passado e, com isso, nos tornamos "ausentes" do nosso presente. O passar do tempo torna as lembranças mais belas e, por isso, fazemos delas o nosso refúgio - é mais seguro agarrar-se ao que é imutável.
É preciso enxergar que somos também a tragédia desse minuto e aprender a deixar os "mortos" pra trás.
Feliz Ano Novo!
12 de abril de 2007
Seria algo útil ter controle sobre o tempo. Acelerar os momentos de dor e paralisar os momentos de prazer, os bons momentos. Por outro lado, isso não seria humano. E dores são necessárias, fazem amadurecer.
Além disso, as dores trazidas pelo tempo/espaço podem, sim, reforçar e estreitar laços e sentimentos.
Por: Thiago | dezembro 27, 2006 08:08 PM
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A condição humana é inaplegivelmente sintética. Toda dor é como um resumo de algo que parece instintivamente mau, e mesmo que se possa encontrar ali algo de belo, a soma é negativa, o que me leva a pensar que não se trata mesmo de uma soma e sim de uma medida-resumo estatística qualquer muito má empregada.
Por: bet o | dezembro 27, 2006 09:01 PM
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Encerrou com chave de ouro. E nem poderia ser diferente. Conheci seu blog esse ano, e continuarei visitando e admirando seu trabalho enquanto você produzir.
Excelente novo ano Daniela.
Beijo Sarah
Por: Sarah | dezembro 27, 2006 11:13 PM
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O passado está sendo sempre re-escrito e re-visto, ele é só aparentemente imutável.
Há a frase "No Brasil é difícil prever até o passado", mas isso é difícil sempre.
Beijos
Por: Felipe Coelho | dezembro 27, 2006 11:49 PM
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O passado é o meu pior inimigo.
Por: Naty. | dezembro 28, 2006 01:26 AM
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Que bela mensagem, Daniela!!
Estou muito feliz em ver que você está escrevendo cada vez melhor.
Beijo grande!
Por: Eduardo | dezembro 28, 2006 11:34 AM
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nada é mais relativo que o tempo. no meu mundo ideal todos os relógios não teriam ponteiros e a gente só marcaria o tempo que nos diz respeito. assim seria até mais fácil viver o presente, que é a unica coisa que existe. o passado já foi e não pode ser alterado e o futuro é uma ponderação hipótetica que nunca vai ser atingida, a não ser quando passar a ser presente. mas aí são outros quinhentos e é preciso que o seu tempo passe e vc faça alguma coisa para chegar até lá.
Por: João | dezembro 28, 2006 03:57 PM
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Foi o tempo que gerou o Big-bang e o que veio depois da explosão. Foi o tempo que fez nascer o alguém que inventou o próprio tempo e também os relógios e ponteiros, por exemplo. O dia mata a noite. A noite nasce o dia. O tempo é a vítima e o assassino. Todas as religiões e crenças fogem do fato de que Deus só é monossílaba e duas consoantes e duas vogais. O tempo é o Deus, o Pai Todo Poderoso das vidas orgânicas ou inorgânicas, das mortes morridas ou matadas. O tempo é o que move existências e inexistências. O tempo nunca foi e nem será, porque ele sempre é.
Passou o tempo de eu achar que era eu quem usava o tempo.
Por: Rebecca Loise | dezembro 28, 2006 09:07 PM
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Amo, você sabe.
Seus textos são cheios de imagens, e às vezes acho que você escreve com os olhos.
É verdade?
Um beijo grande
Por: Timba | dezembro 28, 2006 09:35 PM
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Concordo que os "mortos" devem ser deixados para trás: sentimentos e, por vezes, pessoas... Cada instante é uma oportunidade de.
Por: Ana Luisa Lima. | dezembro 29, 2006 06:54 PM
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Somos a tragédia e a beleza de cada minuto, por isso aguarremo-nos a eles - sem mais nem ontem. Eu tento me dizer isso todos os dias, pqna. Não quero os ponteiros parados - mesmo pq eles não me esperam... com pessoas como vc, aprendo - eu sei.
Sempre lindo.
Por: Clara | janeiro 3, 2007 03:27 PM
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