Consigo escutar a melodia da chuva lá fora, tão triste; mas é uma tristeza reconfortante, quase bela – como a da música que você me mandou ontem. Engraçado você ter evocado Mozart, vejo tanto dele em você: a busca de si mesmo, a sabedoria, o virtuosismo – o Fantasma* é a sua Flauta Mágica.
Você é realmente uma pessoa importante, das poucas que têm a obrigação de escrever para livrar o mundo dessa crescente idiotice. É uma missão generosa: oferecer parte de si ao mundo. E o mundo só tende a devolve dor, desespero e incompreensão. Talvez não estejam preparados para as suas palavras.
Quero você como um todo – o escritor que venero tanto e o homem que me fez amá-lo até os meandros. Os meus olhos não se cansam de esperar um milagre, você o fará? Desculpe, mas não consigo conter as palavras, estou transbordando. Sei que não tenho o direito de desejar, de amar, mas não consigo controlar. Transbordando. Quero me despir aos poucos, te mostrar que nem tudo é óbvio e raso. Acredite: as coisas vão mudar.
Essa tristeza reconfortante é a mesma que senti hoje pela manhã, quando passava a mão na sua pele, tentando decorar cada sensação, cada arrepio. Pensava no Miller, tentava segurar o ímpeto egoísta – Meu amor por ele era tão profundo, tão completo, que toda vez que o encontrava eu me sentia renascer. (...) Eu não esperava nada, não queria nada dele. Sua mera existência já me bastava plenamente.
Beijo,
D
*Segundo Romance de Francisco Slade.
12 de abril de 2007
A história da minha vida, em cada palavra. Acredito que esteja em casa gesto, inclusive.
Te amo. E amo o seu amor.
Sua,
M.
Por: Mel Audi. | novembro 29, 2006 10:24 PM
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Ai, ai, que lindo... quer seja ficção quer seja real.
Por: Felipe Coelho | novembro 29, 2006 10:41 PM
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Adoro cartas.
Em especial as que transbordam, soam como poemas recitados ao pé do ouvido. Tão nossos e tão universais.
Eu gosto das suas palavras. Exponha-se sempre mais. rs
beijoN
Malú
Por: malú | novembro 29, 2006 11:02 PM
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Lindo, delicadeza em cada linha.
Por: Larissa | novembro 29, 2006 11:58 PM
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ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste...
Por: sOromenho. | novembro 30, 2006 12:06 AM
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30 de novembro de 2006
D.
Uma vez te expliquei, carta as vezes (e só as vezes) é tbm adjetivo e receber uma vinda dessa "terra estrangeira" carregada de um sentido que só eu vejo é mais do que isso mas, e por fim, vc não acreditaria.
Outro Beijo,
F. por um dia.
Por: F. por um dia. | novembro 30, 2006 01:47 AM
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muito belo.
Por: carol luck | novembro 30, 2006 01:12 PM
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Nós nunca temos permissão, mas mesmo assim vamos e ultrapassamos qualquer possibilidade... coisa mais caótica e apaixonante...
Por: Clara | dezembro 1, 2006 01:29 AM
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quase não cabe. me (d)escreva sempre! :)
Por: marie. | dezembro 5, 2006 01:36 AM
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A tristeza- por vezes- é reconfortante.
Te amo, moça.
Por: Naty. | dezembro 5, 2006 03:20 PM
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A tristeza- por vezes- é reconfortante.
Te amo, moça.
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