Fernanda Lizardo
"Vem! Serei sua jabuticaba. Me faz explodir e depois espalhar por sua boca toda aquela massinha branca e viscosa."
"Que tal uma rabada?"
"Deixa eu dar só uma lambidinha."
"Seu corpo é doce, muito doce. Mas não enjoa."
"isso, chupa tudo!"
"Sorva-me como se eu fosse vinho. Fique embriagado de mim."
"Vai me comer ou não vai?"
"Está com um gosto tão estranho..."
"Se ela estiver fria, não dá, não encaro."
"Deixa eu te explicar: é mais ou menos como chupar um pirulito ou um picolé, mas não pode morder, tá?"
"Já dizia a sabedoria popular, querido: 'Meu passado sexual é como cozinha de restaurante... Se você conhecer, não come!'"
"Morde que eu gosto!"
"Não, eu não engulo, não."
"Adoro pepino, mandioca, cenoura...!"
"Quanto mais quente melhor."
"Depois é um saco, pois fico com a boca cheia de pelinhos."
"E se for mais apimentado, você gosta?"
"Depois de comer sempre me dá vontade de fumar um cigarro."
"Estava gostoso?"
(*Sentir fome é ser seduzido pela comida. Querer sexo é ser seduzido pelo corpo. A avidez da fome é similar à avidez pelo sexo. Comer é satisfazer o estômago. Trepar é satisfazer a alma. Fazer amor é quase um canibalismo. Lógico. Sexo e antropofagia são tão próximos, que ambos podem ser definidos pela mesma expressão: "comer gente".)
Fernanda Lizardo estudou Licenciatura em Educação Musical na Universidade Federal de Ouro Preto (MG), mas um dia resolveu chutar o balde e achou que dava para viver de jornalismo. Foi repórter e produtora da TVE-Rede Brasil. Atualmente é Editora Assistente na revista Seleções de Reader's Digest e escreve em um monte de sites. Nas horas vagas gosta de incorporar Cooper, personagem do blog "Cooper, por Fernanda Lizardo" - que deu origem ao livro O sexto sexo - e a uma possível coletânea com os melhores textos de Cooper (no prelo).
12 de abril de 2007


