
Alexandre Inagaki
(ilustração de Carol Custodio)
Língua que falo
Língua que amo
Cópula fértida
Febril fêmea
Flamante fruta
Língua que grita
Voz que brota
Do fundo do fundo da gruta
Grito de puta
Que brada: língua!
Língua que te quero fala
Dulserpentemente lasciva
Lassa lânguida
Essa língua nua
E nunca à míngua
Crime que nos redime
Pecado orgasmítico
Original
Oraginal
Oraganal
Luz que te quero lava
Luz mais que luz:
Laz!
Paz
De pau na vagina
Que pulsa
Labareda promíscua
Língua que se abre escancarada
Vértice obsceno de A
De vulva
Que envolve
A lua
De gozo lácteo
Que jorra
Porra e luz
Expulsa
Língua que falo e calo
Cabaço oculto
Que exploro e deslindo
Vórtice voraz
De adaga afiada
Que sabe o que faz:
Língua que te quero laz.
Alexandre Inagaki, 32, é jornalista, poeta bissexto, leonino, japaraguaio, air drummer e cínico cênico, não necessariamente nesta ordem. Escreve ocasionalmente no blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso. Mora em São Paulo ao lado de seu animal de estimação, a ornitorrinca imaginária Leda Zeppelin.
Carol Custodio participa do coletivo de blogs Selva e tem página pessoal em http://www.carol.naselva.com/blog.
12 de abril de 2007


