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Existindo em você

Por Daniela Lima.

Suavidade, delicadeza e, ao mesmo tempo, um vigor característico. A paixão levada aos limites extremos do corpo; mais um acorde e estaria. A noite se fechou em um ponto de superação: vibrato perfeito. Através da música pulverizava o desejo; nela deixava de existir individualmente: tornava-se som. Após largar o arco sentiu um grande vazio – precisava ligar pra ele e falar sobre a pequena realização, assim, e só assim, saberia que foi real. Os fatos só tomavam forma em sua mente quando ele participava, mesmo que de forma indireta, deles – Escuta este acorde por compaixão – compaixão? Nunca quis despertar este sentimento em ninguém – ou quis? Bom, depende, se entendermos compaixão como co-sentimento e não apenas como co-dor; a resposta é sim. Ela queria que ele se co-satisfizesse, assim os dois estariam unidos por algo supremo e não-carnal. Era um sentimento supremo que ela buscava.

Tirou o telefone do gancho e ficou ouvindo o barulho por alguns segundos; colocou o telefone no gancho. Talvez a vida dele não precisasse dessa minúscula co-felicidade – um grão de açúcar no vazio. Perdia-se nas mais fantásticas digressões sobre o vazio dele e, de repente, ela o sentiu. Não era imaginar; era sentir o vazio dele em si. Desesperador. Realmente compaixão era um sentimento perigoso, finalmente conseguira compreender porque Nietzsche o condenava tanto.

Ele já deve tê-la esquecido, afinal o que uma mulher como ela representaria na vida dele? Sentia um medo muito grande da verdade contida nessa resposta. Silêncio. Sentia medo do tempo se arrastando, tal qual um verme, e destruindo o que sobrou de belo. Tudo se decompondo em notas musicais – o tempo aprisionado na mais bela melodia: no vibrato perfeito. No vibrato que só existia nele – nela; co-existência. Colocou o telefone no viva-voz; esperou que ele atendesse; e tocou como nunca havia tocado antes: com fome de realidade. Suavidade, delicadeza e, ao mesmo tempo, um vigor característico.
***


12 de abril de 2007

Nas línguas derivadas do latim, compaixão significa não poder ver o sofrimento alheio com indiferença; uma espécie de simpatia por aqueles que padecem; uma espécie de superioridade bondosa. A mulher do violino não merece ser amada por compaixão. Digamos que apenas amada, só isso.

Por: Clara | março 23, 2006 08:48 PM

¨¨¨


Bom texto dentro do contexto do co-sentimento.
Impossível não comentar esta imagem:
Lindo Stradivarius.
Me imagino afinando esse instrumento,iniciando as preliminares "with champagne and strawberries" e, óbviamente ,por uma apaixonada Clave-de-Sol.
Jack Daniels

Por: Jack Daniels | março 30, 2006 11:07 AM

¨¨¨

Paixão e musica td a ver...sao solidários, se completam...

Por: luana gabriela | abril 19, 2006 07:17 PM

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