Por Daniela Lima.
Tirou o telefone do gancho e ficou ouvindo o barulho por alguns segundos; colocou o telefone no gancho. Talvez a vida dele não precisasse dessa minúscula co-felicidade – um grão de açúcar no vazio. Perdia-se nas mais fantásticas digressões sobre o vazio dele e, de repente, ela o sentiu. Não era imaginar; era sentir o vazio dele em si. Desesperador. Realmente compaixão era um sentimento perigoso, finalmente conseguira compreender porque Nietzsche o condenava tanto.
Ele já deve tê-la esquecido, afinal o que uma mulher como ela representaria na vida dele? Sentia um medo muito grande da verdade contida nessa resposta. Silêncio. Sentia medo do tempo se arrastando, tal qual um verme, e destruindo o que sobrou de belo. Tudo se decompondo em notas musicais – o tempo aprisionado na mais bela melodia: no vibrato perfeito. No vibrato que só existia nele – nela; co-existência. Colocou o telefone no viva-voz; esperou que ele atendesse; e tocou como nunca havia tocado antes: com fome de realidade. Suavidade, delicadeza e, ao mesmo tempo, um vigor característico.
12 de abril de 2007
Nas línguas derivadas do latim, compaixão significa não poder ver o sofrimento alheio com indiferença; uma espécie de simpatia por aqueles que padecem; uma espécie de superioridade bondosa. A mulher do violino não merece ser amada por compaixão. Digamos que apenas amada, só isso.
Por: Clara | março 23, 2006 08:48 PM
Bom texto dentro do contexto do co-sentimento.
Impossível não comentar esta imagem:
Lindo Stradivarius.
Me imagino afinando esse instrumento,iniciando as preliminares "with champagne and strawberries" e, óbviamente ,por uma apaixonada Clave-de-Sol.
Jack Daniels
Por: Jack Daniels | março 30, 2006 11:07 AM
Paixão e musica td a ver...sao solidários, se completam...
Por: luana gabriela | abril 19, 2006 07:17 PM


