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Mulher-vítima

Não tenho nada contra mulheres arrogantes, pretensiosas, arrivistas, carreiristas, fatais. Não me importo. O sadismo não me incomoda, expressa vontade e determinação, ainda que insuportavelmente exageradas.

O que me provoca alergia é a mulher-vítima (assim como existe o homem-vítima), a que se considera injustiçada por antecipação. Vítima do mundo, de si, que conspira contra qualquer boa notícia, que desconfia do otimismo e se empenha para a tragédia. Ela não lutará pelo seu talento, vai logo se desculpar ou esperar que tudo fique igual.

Será extremista: ou é como ela quer ou não vale. Não aceita gradações, modulações, intervalos. Não respeita meio-termos, demora, paciência. Carrega sua verdade para todas as mentiras. No primeiro confronto com os pais, replica: "não pedi para nascer". Na primeira resistência: "nada funciona comigo". Na discussão de casal: "eu não o mereço". Na primeira celebração: "não sei por que você me escolheu". No primeiro filho: "ele não se parece comigo".

A mulher-vítima se defendeu do que podia na infância. Agora nem a infância a acalma. É vingativa. Só que não com os outros. Renuncia e abdica de sua própria história para provar que tinha razão.

Ela se enxerga como a última das criaturas. Aliás, a penúltima das criaturas, pois se lembrará das baratas ao pensar nisso. Não seria capaz de casar consigo mesma. Não que não seja bonita, inteligente, sensível. É, na maioria das vezes. Mas não suporta a idéia de fracassar e fracassa na véspera por não controlar a ansiedade. Não que tenha medo de fracassar, esse é o problema: tem certeza de fracassar. A mulher vítima tropeça já avisando como vai cair. Faz a derrota premeditada. Não economiza água para contar os dramas, e toma os dramas dos outros como seus. Se ele usasse todo o discurso quando se lamenta para dar certo, não haveria concorrência.

A mulher-vítima não desabafa, chora antes. Em algum momento, não foi vítima. Em algum momento, se sentiu traída e não trocou de papel.

A mulher-vítima se isola, acha que ninguém entenderá seu sofrimento. Não permite que sua angústia converse com estranhos. Ou que sua alegria tenha amigos. A mulher-vítima é uma mãe que não deixa o corpo sair dessa encarnação.

É como o fogo, começa uma história e não consegue terminar.

Será vítima do casamento, será vítima da falta de oportunidade, será vítima dos filhos, será vítima das contas. Ela não reage, ela concorda quando está apanhando das dificuldades - até ajuda a bater.

A mulher-vítima não muda, aguarda que o mundo mude por ela. É triste o jeito que ela se trata, ou o jeito que ela não se trata.

Fui criado por uma mulher excepcional, que não precisava de provas para ser percebida. Apesar de todas as qualidades, era uma mulher-vítima. A mulher-vítima não apaga suas virtudes, ela se esconde delas.

Não cansava de explicar aos filhos que foi abandonada pelo marido. Nunca a ouvi dizer algo de bom dele. Tudo que era bom dele vinha dela e do tempo que viveram juntos. Nunca se casou de novo para contrariar o passado ou absolvê-lo.

A mulher-vítima é romântica. Pelo motivo errado. Não trai suas dores e mágoas pelo orgulho de ter sofrido sozinha.

15 de January de 2007 | 04:40 PM

Bem talvez eu tenha recaídas de mulher-vítima e rompante de mulher mesmp, aquela que luta é arrogante, pretensiosa, carrerista.

Adorei o texto!

Por: Luana | January 15, 2007 05:49 PM

Meudeus, meudeus, que é isso? Que mentalidade atrasada! Que artigo sexista!! E publicado em TRÊS lugares!

Não existem “mulheres vítimas” a não ser que estejamos falando de alguma mulher que foi vítima de doença ou de violência. Existem “pessoas vítimas”. A vitimização é um forte componente cultural brasileiro, é a “cultura do tadinho” e não escolhe gênero nem idade para atacar. Essa “cultura do tadinho” vem sido combatida pelos movimentos sociais, através da valorização da diferença entre as pessoas, do papel das minorias na sociedade e valorização cultural.

Por favor, moço, reveja seus conceitos, URGENTEMENTE! O machismo e o sexismo acabaram há pelo menos trinta anos.

Ah, e abra a caixa de comentários do seu blog, eu digo o que penso com muita classe e elegância e só mordo às vezes.

E só pra completar, já que o Alessandro se deu ao trabalho de ir até o chá e comentar meu comentário:

Quando você abre parentesis para mencionar homens é a famosa e óbiva “linha de comentário pra evitar pedrada” mas ainda assim, ficou clara a intenção de atacar mulheres.
Você não escreve sobre “pessoas que se fazem de vítima” e sim sobre “mulheres que se fazem de vítima”. O machismo ficou óbvio.

O comentário “apaziguador” dele não foi o suficiente.
Eu sei que muita gente te admira como escritor, mas sexismo não tem perdão, não interessa o gênio que a pessoa seja.
Eu tenho alergia a machistas, assim como você tem alergia a “mulher-vítima”.

Não existe "mulher-vítima". Existem "pessoas vítimas" e o comportamento é idêntico, independente do gênero sexual.

Por: Daniela Castilho | January 20, 2007 05:02 PM

 
 




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